quarta-feira, 24 junho, 2026

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Jogando Limpo – Não dá mais para relativizar

Por: Rodrigo Panichelli*

O futebol sul-americano, mais uma vez, manchou sua história com a intolerância. No Morumbi, no confronto entre São Paulo e Talleres, pela Libertadores, Bobadilla, volante do Tricolor, cometeu um ato lamentável: ofendeu um jogador adversário com um comentário xenofóbico — um preconceito contra pessoas de outros países ou culturas. Para quem ainda não entende o termo, a xenofobia é tão repugnante quanto o racismo. E, neste caso, atinge em cheio um adversário venezuelano e indiretamente seu próprio companheiro de equipe, Ferraresi, que também tem a mesma nacionalidade.

É chocante, mas infelizmente, não surpreendente. Menos de duas semanas após um caso de racismo explícito na Série B do Brasileiro, temos mais um episódio de intolerância. Até quando?

Não adianta clubes fazerem postagens bonitinhas com frases de efeito no Dia da Consciência Negra. Não adianta jogador levantar plaquinha contra racismo se, em campo, alguns se comportam como se não entendessem o peso das próprias palavras. Não adianta dizer que “não foi por mal” — foi. Porque há mal em ignorar o outro, há mal em desrespeitar a origem, a cor ou a história de alguém.

A impunidade é gasolina para o preconceito. Sem punição exemplar, a repetição vira rotina. O futebol é reflexo da sociedade, mas também é instrumento para educá-la. Ou tratamos esse assunto com a seriedade que merece, ou vamos continuar sendo cúmplices por omissão.

Quem representa uma camisa, um clube, um país, precisa entender que está ali também para dar exemplo.

E se nem isso for suficiente para despertar consciência, que a punição doa no bolso, na carreira, na imagem. Porque se o sistema não age, a mensagem passada é a de que tudo é permitido.

E não é. Não pode mais ser.

*Rodrigo Panichelli é colaborador d’O Defensor