Por: Rodrigo Panichelli*
Há perguntas que não pedem resposta imediata. Pedem silêncio, reflexão… e coragem.
A maior delas, hoje, atende por um nome: Neymar vai ou não vai para a Copa de 2026?
Não é só uma questão técnica. Nunca foi.
É quase um dilema emocional de um país que aprendeu a amar e a desconfiar do seu maior talento da última década, tudo ao mesmo tempo.
Porque Neymar não é apenas um jogador. É um acontecimento.
Daqueles que, mesmo quando não resolvem, mudam o jeito como o jogo acontece. E, às vezes, só isso já basta.
Mas o futebol não vive de memória. Vive de momento.
E o momento da Seleção Brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, pede lucidez. Pede escolhas que não sejam apenas populares, mas necessárias.
Ainda mais quando o cenário começa a se embaralhar.
Lesões, dúvidas, quedas de rendimento.
Rodrygo está fora de combate
Estêvão, lesionado não se sabe como estará na copa.
Raphinha também não vive plenitude física.
E é nesse ponto que a pergunta volta — mais incômoda, mais urgente:
em um jogo travado, quando nada acontece, quem faz algo diferente?
Porque Copa do Mundo, no fim das contas, não é sobre o previsível.
É sobre aquele instante em que alguém rompe o roteiro.
E Neymar, goste-se ou não, ainda carrega esse poder.
Talvez não por 90 minutos.
Talvez nem como protagonista absoluto.
Mas como aquele jogador que atrai olhares, desloca marcações… e, sem perceber, protege os mais jovens do peso que a camisa impõe.
Porque a camisa pesa. E como pesa.
Muitos dos que estarão em 2026 também estiveram em 2022.
Alguns carregam desde Copa do Mundo 2018 a lembrança de uma cobrança que não perdoa.
Já são 24 anos sem título mundial. Tempo demais para um país que se acostumou a ser eterno.
E o futebol brasileiro conhece bem esse roteiro.
La atras na Copa do Mundo 1994, a geração liderada por Dunga era vista como limitada. Questionada. Até desacreditada.
Veio o título. Veio a redenção. Veio a prova de que, às vezes, o futebol não precisa encantar — precisa vencer.
Talvez seja esse o ponto.
Não se trata de escolher entre passado e futuro.
Entre Neymar e a nova geração.
Mas de entender que Copas não são feitas apenas de lógica. São feitas de escolhas humanas.
E, às vezes, o improvável não é um erro.
É uma necessidade.



