quinta-feira, 30 abril, 2026

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Crônica: Nostalgia, esperança e o conflito de gerações

Por: Sérgio Sant’Anna*

Há alguns anos analiso a linguagem e a escrita contemporânea, atual, carregada de seus vícios, costumes, elementos precisos da cultura vigente. E aos poucos adapto-me a esta escrita dinâmica, das redes sociais, dona de uma objetividade ímpar, às vezes, sem nexo, sem contexto; mas tudo bem, a nostalgia é o acalanto dos mais experientes.

Esses dias lembrei-me de uma entrevista da “Legião Urbana” ao “Programa do Jô”, ainda no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), do notável Silvio Santos, e me espantei com uma declaração do Renato Russo em que o mesmo, com 29 anos (Dado e Marcelo Bonfá, ambos com 24 anos) declara a incapacidade juvenil no iniciar das disputas eleitorais de 1989. E mais, o nobre e elegante apresentador enriquece o debate provando a incapacidade argumentativa do adolescente da época (eu era um pré-adolescente nessa época), através da ausência da leitura e o menosprezar da arte do pensar, da reflexão. É lógico que existiam exceções. Contudo, passado-se quase 30 anos, assombro-me com as semelhanças daquele momento; Renato, vocalista e compositor de uma importante banda de rock dizia que fora um adolescente obcecado por TV e recita as séries que assistia no aparelho. Reclamou muito, nesta entrevista, de ter que tocar “Que País é Esse?”, como se o País fosse só Brasília e seus desmandos. Disse o compositor da “Legião”, que o Brasil era amor (nenhuma apologia à religião), esperança e afirmava categoricamente acreditar no futuro da Nação como musicara.

Passado alguns dias leio um artigo escrito por um grande educador brasileiro (artigo datado de 1959) que vociferava contra o número de analfabetos brasileiros, principalmente daqueles que residiam na zona rural, mas reclamava da ineficiência juvenil, que pouco se destacava dando margem para manipulação adulta e os desmandos do Estado. E hoje, quando me defronto com esta situação: inapetência pela leitura, acesso ao mundo virtual, ausência de argumentos para embasar teses, noto que esses problemas sempre fizeram parte do nosso cotidiano, pelo menos nos últimos 60 anos. Com outra linguagem e carregado da nostalgia de que “minha geração era melhor…”.

É por isso que me agarro aos meios científicos, processos acadêmicos que me competem como docente, e sigo lecionando, dando aulas, estudando, lendo, pesquisando, palestrando, aperfeiçoando-me, não podemos protelar mais, pois temos sim que encontrar uma solução para o problema que se arrasta e se transforma em história, resolvido pela nossa nostalgia, esperança e o conflito de gerações…

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.