sexta-feira, 1 maio, 2026

spot_img

TOP 5 DESTA SEMANA

Notícias Relacionadas

Crônica: A cultura em Taquaritinga

Por: Gustavo Antonio Ascencio*

Há algum tempo fui ao Centro Cultural São Pedro assistir à peça teatral Irineu — muito boa por sinal —, dos atores taquaritinguenses Tiago Luchi e Genésio de Barros. Ao final, o mais jovem da dupla, preocupado com a cultura taquaritinguense, criticou a ausência de eventos e espaços para programações culturais em nossa cidade. Segundo Tiago, em São Paulo, onde ambos residem atualmente, há opções de eventos artísticos para todos os gostos semanalmente, enquanto aqui em Taquaritinga ficamos aguardando pela Festa do Peão e saímos para beber cerveja todos os finais de semana.

Ele não mente sobre a capital paulista, já disse que morei lá por um tempo e de fato esta é uma realidade. Assisti a um punhado de peças; como jornalista cultural e fã estive em inúmeros shows e concertos; frequentei bibliotecas (praticamente vivia em uma!); caramba, vi o Abaporu e tantos outros quadros a centímetros do meu nariz no Masp. No entanto, no que se refere a segunda metade de sua fala, a que diz respeito à nossa cidade, não pude deixar de encontrar naquelas palavras certo tom paternalista.

Concordo com a falta de oportunidades e espaços, apesar disso estar mudando rapidamente conforme agentes culturais de nossa cidade, cada vez mais, buscam por editais de financiamento, mas não nos reduzimos à Festa do Peão e bares do mesmo modo que São Paulo não é só teatros e museus.

Aos sábados de manhã, vou à Casa dos Livros, na Prudente de Morais, e compro livros e discos por uma pechincha. Entre um garimpo e outro, troco figurinhas com Paulo Amêndola, dono do sebo e volto feliz da vida para casa.

Frequentemente me encontro no mesmo centro cultural supracitado para ver peças e documentários interessantíssimos. Em terras taquaritinguenses, já assisti a espetáculos que vão de Lorca a Plínio Marcos, acreditem vocês ou não. Há algumas semanas, por exemplo, tive o enorme prazer de prestigiar o documentário “Sob as lentes de Florisval Lui”, do meu amigo Flávio Oliveira — um dos maiores preservadores e divulgadores da história do nosso município — e do cineasta Marcelo Rosa. Uma belíssima noite não apenas do ponto de vista cultural como também histórico, enaltecendo a vida simples porém grandiosa do seu Flor, fotógrafo de nossa terra que legou à sua família e à cidade em que nascemos registros fotográficos de grande valia.

Aos que preferem algo mais diferente, consigo citar o coletivo Família 1 Quarto, que movimenta de forma primorosa o cenário do Hip Hop e da cultura de rua taquaritinguense, com apresentações e batalhas de MC’s, cujo festival, de nome Tribos, já conta com duas edições que prestigiaram artistas locais bem como os da região, além de revitalizar espaços públicos e mostrar que a cultura clássica e urbana podem e devem coexistir, como quando também apresentaram no cine-teatro o documentário “Taquaritinga, A Cidade do Rap”.

Repito: tudo isso em Taquaritinga, de graça.

Mas Gustavo, e a parte de sairmos para tomar uma cerveja? Pois bem, aqui também concordo com Tiago, embora não veja problema algum nisso. Afinal, o homem não é de ferro.

*Gustavo Antonio Ascencio é escritor e professor formado em letras na USP.