Por: Gabriel Bagliotti*
Há momentos em que a rotina escolar ultrapassa os muros da instituição e alcança algo muito maior. Foi exatamente essa sensação que tive ao acompanhar o vídeo da iniciativa do Colégio Pequeno Príncipe no último dia trinta de janeiro. Em uma visita ao Horto Florestal Municipal, estudantes do colégio participaram da entrega oficial de mudas, reafirmando um compromisso que, na minha opinião, deveria ser pilar de toda escola: formar cidadãos conscientes do mundo que habitam.
O que poderia parecer uma ação simbólica ganha outra dimensão quando observamos quem esteve envolvido. Representantes de classe e integrantes do Grêmio Estudantil assumiram o protagonismo da atividade, mostrando que a juventude tem voz, iniciativa e disposição para participar da construção de uma cidade mais humana. A presença das profissionais Profª Lucimara Oliani Ozzetti, responsável pela disciplina de Biologia, das coordenadoras Adriana Carqui e Vanessa Martins reforça que a educação ambiental só se sustenta quando existe união entre ensino, gestão e estudantes.
Engana-se quem pensa que a entrega de mudas é apenas um ato protocolar ou mesmo um ato punitivo devido a retirada de algumas árvores da calçada lateral da escola. Na verdade, ali se planta algo muito mais potente do que árvores: planta-se consciência. Cada muda entregue carrega consigo a noção de pertencimento e responsabilidade, dois valores essenciais para que os jovens entendam que o cuidado com o meio ambiente começa nas pequenas atitudes e se estende para a vida adulta.
Sempre defendo que escolas que se dedicam à pauta ambiental ajudam a moldar uma geração mais preparada para enfrentar os desafios que já estão diante de nós. Em uma cidade que cresce e enfrenta pressões urbanas constantes, ver estudantes se envolvendo diretamente com o Horto Florestal é reconfortante. É a prova de que existe, sim, espaço para renovar a relação entre comunidade e natureza.
O mais inspirador é perceber que, por trás da ação, existe uma proposta pedagógica coerente, que incentiva o aprendizado vivo, fora da sala de aula, onde teoria ganhou forma e propósito. Quando os jovens tocam a terra, veem o impacto real do que estão aprendendo e compreendem que suas ações ecoam para além deles mesmos, a educação finalmente cumpre seu papel integral.
A iniciativa do Colégio Pequeno Príncipe vai além do gesto ambiental. Ela aponta para um modelo de formação que valoriza participação, responsabilidade e pertencimento. E, sinceramente, em tempos tão desafiadores, ver a juventude plantando o amanhã reacende uma esperança que não podemos deixar morrer.
A verdade é que a direção da escola é muito bem intencionada. Bem diferente do que pensam alguns ultracrepidários de plantão. Fica a dica!



