Reunião em Taquaritinga apresentará linhas de financiamento aos produtores atingidos pelo temporal de 24 de julho; mais do que oferecer recursos, é fundamental garantir informação, orientação e acesso efetivo ao crédito
Por: Gabriel Bagliotti*
Quem acompanhou de perto o que aconteceu em 24 de julho sabe que aquela madrugada deixou marcas que ainda estão longe de desaparecer. A tempestade atingiu Taquaritinga e cidades de nossa região, provocou prejuízos nas áreas urbana e rural e mostrou, em poucas horas, como aquilo que levou anos para ser construído pode ser severamente danificado pela força da natureza.
Por isso, considero importante a reunião que será realizada na próxima quinta-feira, 17 de setembro, das 14h às 16h, no Sindicato Rural de Taquaritinga, destinada aos produtores de Ribeirão Preto, Taquaritinga, Jaboticabal, Itápolis, Guariba, Pradópolis, Dumont, Cândido Rodrigues e Barrinha.
O encontro, promovido pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), terá como foco as linhas de crédito emergencial disponibilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo para auxiliar produtores afetados pelo temporal.
E aqui faço uma consideração que considero fundamental: quem perdeu precisa encontrar ajuda que funcione na prática.
No campo, um temporal não significa somente uma árvore caída ou um telhado danificado. Dependendo da propriedade, significa perda de produção, estruturas destruídas, equipamentos comprometidos e interrupção de um ciclo produtivo que não pode simplesmente esperar. O produtor tem compromissos, custos, funcionários e uma atividade que precisa continuar.
Entre as alternativas anunciadas está uma linha operacionalizada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio da CATI, destinada especialmente à recomposição do ciclo produtivo. Ela permite combinar custeio e investimento em operações de até R$ 150 mil, com juros de 3% ao ano, prazo de 72 meses e carência de até três anos.
Outra possibilidade será oferecida pela Desenvolve SP, principalmente para recuperação de estruturas, ativos, máquinas e equipamentos. Nesse caso, as operações podem chegar a R$ 5 milhões, com possibilidade de incorporar até 30% de capital de giro associado.
São números importantes. Mas dinheiro anunciado não significa, automaticamente, dinheiro chegando a quem precisa.
É justamente aí que considero encontros presenciais como este extremamente necessários. O produtor precisa saber quem pode solicitar, quais documentos serão exigidos, quais prejuízos são enquadráveis, quais garantias podem ser necessárias, como será feita a análise e qual modalidade realmente corresponde à sua situação.
Não adianta termos boas linhas de financiamento se o excesso de burocracia transformar o acesso em uma corrida de obstáculos.
Também acredito que existe uma questão maior envolvida. A recuperação do produtor rural interessa a toda a nossa região. Quando uma propriedade consegue retomar sua produção, não estamos falando somente da renda de uma família. Estamos falando de empregos, fornecedores, comércio, circulação de recursos e da própria economia dos municípios.
Depois de uma tragédia climática, reconstruir exige muito mais do que solidariedade nas primeiras semanas. Exige planejamento, recursos e presença efetiva do poder público.
Por isso, deixo aqui meu incentivo aos produtores atingidos: participem da reunião, busquem informações e conheçam as condições disponíveis antes de tomar qualquer decisão financeira.
O encontro acontece no Sindicato Rural de Taquaritinga, na Rua da República, 1197, Centro, das 14h às 16h. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (16) 3252-2175 e (16) 99993-5119.
O temporal de 24 de julho não pode ser apagado. Mas seus prejuízos podem, e devem, ser enfrentados com informação, crédito responsável e apoio concreto a quem produz.




