Por: Lucas Fanelli*
Olá caros leituras, espero que estejam todos bem e num lugar bem iluminado, pois hoje vamos falar de Uma Mulher no Escuro: suspense, terapia e um pouco de paranoia.
Raphael Montes não escreve livros, ele comete atentados psicológicos. Uma Mulher no Escuro é mais uma prova de que o autor não quer apenas entreter, ele quer te deixar desconfiado até da sua sombra. Se você achava que dormir com a porta trancada era suficiente, prepare-se para revisar seus protocolos de segurança.
O livro começa com uma protagonista que já nasceu com o selo “não vai ter um dia de paz”. E não tem mesmo. Se você é do tipo que gosta de personagens que tomam decisões sensatas, talvez seja melhor procurar outro autor. Aqui, o lema é: “Se está tudo bem, é porque algo muito errado está prestes a acontecer.”
A narrativa é ágil, como se Raphael tivesse tomado três cafés e escrito tudo em uma madrugada de insônia. Cada capítulo termina com aquele famoso “só mais um”, que te faz virar a noite lendo e no dia seguinte parecer um figurante de The Walking Dead.
O suspense é tão bem construído que você começa a suspeitar do entregador de pizza, da vizinha simpática e até do seu gato. Montes tem esse talento raro de transformar qualquer personagem em potencial vilão, inclusive você, leitor. Em certo momento, me peguei pensando: “Será que fui eu que fiz isso?”
A ambientação é sombria, mas não no estilo gótico-poético. É sombria tipo “não quero mais sair de casa”. O autor não economiza nas descrições que fazem você olhar duas vezes para o corredor escuro da sua casa. E se você mora sozinho, boa sorte.
O livro também é uma aula de como usar traumas como combustível narrativo. A protagonista carrega mais bagagem emocional que um voo internacional. E Raphael, claro, não alivia. Ele joga tudo na sua cara com a delicadeza de um tijolo.
Mas não pense que é só sofrimento. Há momentos de humor, aquele humor ácido, quase clínico, que te faz rir e imediatamente se sentir culpado por isso. É como rir de uma piada no velório: você ri, mas sabe que vai pro inferno.
No fim das contas, Uma Mulher no Escuro é um convite para mergulhar num universo onde ninguém é confiável, todo mundo tem segredos e o leitor vira cúmplice involuntário. É como entrar num elevador com um estranho e descobrir que ele sabe demais sobre você. Você ficará totalmente no escuro, até quando chega o final você percebe que tem o final do final.
Raphael Montes não escreve para agradar. Ele escreve para perturbar. E faz isso com maestria, ironia e uma pontinha de sadismo literário. Se você gosta de livros que te deixam em estado de alerta, estado de choque e com muitos gatilhos esse é o seu parque de diversões.
Só não diga que eu não avisei.



