Por: Lucas Fanelli*
Olá caro leitor, espero que você esteja bem! Hoje quero falar de uma trilogia que faz parte de um esquema de pirâmide literário. Rick Riordan é quase uma máquina de escrever mitologias, escritor de Percy Jackson ele não achou suficiente falar de mitologia grega, acabou unindo a mitologia romana na continuação da saga inicial, mas ele não parou por aí.
O tio Rick escreveu uma trilogia falando sobre mitologia nórdica muito interessante. O personagem principal, Magnus Chase, é primo da Annabeth de Percy Jackson. Ele é filho de um deus nórdico e passa a conviver com outros semideuses nórdicos, conhecendo sua paixão Alex Fierro e é essa dinâmica entre esses dois personagens que torna toda a leitura de Magnus Chase e os Deuses de Asgard mais interessante.
Alex é filha do deus Loki e assim como o pai ela é gênero fluído, porque sim, Loki também é gênero fluído e em sua mitologia ele inclusive fica grávido e gera uma criança. Com isso Magnus se descobre pansexual e começa a compreender como está o gênero de Alex, respeitando sempre seus pronomes.
No primeiro volume, A Espada do Verão, Magnus descobre que ser filho de um deus nórdico não vem com plano de saúde, mas sim com missões perigosas, criaturas mitológicas temperamentais e uma espada que tem mais personalidade do que muita gente. É basicamente a história de um garoto tentando impedir o apocalipse enquanto aprende que a vida pós-morte pode ser ainda mais cansativa que a vida normal.
No segundo livro, O Martelo de Thor, a situação escala rapidamente porque, claro, o martelo mais famoso da mitologia some, e adivinha quem precisa achar? Magnus e sua turma, que já estão acostumados a lidar com deuses que não sabem guardar seus próprios objetos. Entre encontros desastrosos, casamentos suspeitos e gigantes que definitivamente não passaram no curso de etiqueta, o grupo tenta evitar que a Terra vire um parquinho de destruição. Tudo isso com piadas no meio, porque se não rir, eles choram.
No terceiro livro, O Navio dos Mortos, Magnus precisa enfrentar uma ameaça ainda maior e, como sempre, com zero tempo para respirar. A missão envolve impedir que um certo deus da trapaça transforme o universo em uma grande pegadinha cósmica. A equipe navega por mares perigosos, encara inimigos nada amigáveis e tenta salvar os Nove Mundos enquanto mantém o bom humor, porque alguém precisa equilibrar o drama com sarcasmo. É o grande final épico, mas contado com a leveza de quem sabe que, no fundo, ninguém ali tem 100% de certeza do que está fazendo.
É lógico que a trilogia conta com muitas aventuras, deuses poderosos, batalhas e vários problemões para serem resolvidos, mas esse detalhe da dinâmica dos dois personagens principais deixa tudo mais interessante.
A trilogia aborda a temática sem apelo, tratando o assunto de forma natural como deve ser, falando das dificuldades das pessoas com gênero fluído. Inclusiva a cena mais importante de todos os diálogos do livro é quando Magnus pergunta para Alex se usar pronomes neutros não seria mais fácil do que ter que trocar de pronomes toda vez que seu gênero fluir e Alex responde de forma lacaniana com: “Mais fácil para quem?”.



