Por: Arthur Micheloni*
O Governo Federal anunciou uma mudança significativa na alimentação oferecida nas escolas públicas brasileiras, a redução gradual da presença de alimentos processados e ultraprocessados nos cardápios da merenda escolar. A decisão, que começa a valer em 2025, estabelece que o limite desses alimentos passará dos atuais 20% para 15% do total oferecido por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A partir de 2026, a proporção será ainda menor, chegando a apenas 10%.
Essa mudança, prevista em nova resolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), representa um avanço importante na promoção de uma alimentação mais saudável e equilibrada para os estudantes da rede pública. O objetivo central é valorizar alimentos in natura (como frutas e legumes) e minimamente processados, incentivar a agricultura familiar, respeitar a cultura alimentar de cada região e, acima de tudo, proteger a saúde e o desenvolvimento das crianças e adolescentes brasileiros. A medida está alinhada às recomendações de especialistas da área da saúde, que há anos alertam sobre os impactos do consumo frequente de ultraprocessados desde os primeiros anos de vida. Inclusive, já utilizei este espaço anteriormente para abordar o tema dos alimentos ultraprocessados na merenda escolar das escolas de Taquaritinga. Produtos como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes, embutidos e macarrão instantâneo são ricos em açúcar, sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos.
A infância é uma fase fundamental para o desenvolvimento físico, mental e cognitivo, além da formação de hábitos alimentares que muitas vezes se mantêm até a vida adulta. Estudos comprovam que dietas pobres em nutrientes essenciais, como vitaminas, minerais, fibras e proteínas de qualidade, comprometem a concentração, o aprendizado, a memória e até o comportamento das crianças. A ingestão exagerada de alimentos industrializados está associada a quadros de irritabilidade, hiperatividade e déficit de atenção, além de elevar consideravelmente o risco de sobrepeso e obesidade infantil. Esse excesso de peso compromete o desenvolvimento ósseo e muscular, diminui a disposição para a prática de atividades físicas e impacta diretamente na qualidade de vida.
Além das consequências imediatas, o consumo frequente de ultraprocessados na infância aumenta as chances de surgimento precoce de doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. Sempre venho alertando, os hábitos alimentares cultivados na infância são determinantes para a saúde na vida adulta. Por isso, medidas como essa adotada pelo governo são tão relevantes para o futuro do país.
Com a nova regulamentação, espera-se que os cardápios escolares passem a oferecer refeições mais nutritivas, com maior presença de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e proteínas de qualidade. A escola, nesse cenário, não apenas alimenta, mas também educa, desempenhando papel essencial na formação de hábitos saudáveis.
Pais e responsáveis devem estar atentos ao que é oferecido nos lanches, nas refeições e até nos momentos de lazer. Evitar a compra frequente de produtos ultraprocessados e estimular o consumo de alimentos caseiros e naturais são atitudes simples, mas poderosas, que fazem toda a diferença na saúde infantil. Quando a escola e a família caminham juntas, o impacto positivo se multiplica. É nessa união que está a chave para construir uma geração mais saudável, consciente e com maior qualidade de vida.
Com políticas públicas bem estruturadas e o apoio da sociedade, podemos transformar a alimentação das nossas crianças e garantir um futuro mais saudável para todos. Essa é uma oportunidade para repensarmos nossos hábitos, valorizarmos a comida de verdade e protegermos aquilo que temos de mais precioso: a saúde das nossas crianças.



