Por: Gustavo Girotto* e Raphael Anselmo**
No Brasil, o patriotismo virou cosplay. Basta vestir a camisa da seleção (de preferência sem Copa), pendurar uma bandeira na varanda e gritar “Brasil acima de tudo” entre um story e outro. Não precisa entender nada de soberania, democracia ou desigualdade — só decorar umas frases de efeito e repetir “mito” como quem faz oração. Fácil, rápido e sem compromisso com a realidade. É o patriotismo de aplicativo.
Mas vamos ser justos: os falsos patriotas só são o espelho de seu falso Messias. Um homem que, enquanto o Brasil enterrava mais de 700 mil mortos, fazia piada, andava de jet ski e indicava cloroquina como se fosse Santo Daime. Agora, seus seguidores seguem o exemplo: transformaram o amor à pátria em performance. E das ruins.
Patriotismo de verdade exige coragem para enfrentar os problemas do país — não para fazer dancinha com camiseta do Trump. Sim, você leu certo. No Congresso Nacional, nossos aguerridos deputados bolsonaristas — pagos com dinheiro brasileiro — ergueram uma faixa com o slogan Make America Great Again. Porque, para eles, se ajoelhar para os EUA já virou reflexo automático. Enquanto Trump preparou o tarifaço contra o Brasil, os “defensores do agro” estão ocupados… fazendo campanha para o cara que vai dizimar empregos… no agro.
Sabe aquele aluno que puxa saco do valentão da escola enquanto toma tapa na nuca? É isso. A extrema direita brasileira virou figurante do trumpismo. E nem salário em dólar ganha para isso.
E quando alguém acha que já viu tudo, surge Eduardo Bolsonaro com sua proposta de “terra arrasada” — porque, se não for pra voltar ao poder, que o país vire um Mad Max tropical. Isso não é só desprezo pela democracia. É birra geopolítica com toque de piromaníaco. Para essa turma, o Brasil só serve se estiver sob o domínio do clã. Fora isso, que se exploda: o povo, a economia, o meio ambiente, tudo.
Se for pra perder, que todo mundo seja derrotado. Um tipo de “patriotismo” que caberia melhor num filme do Coringa.
Enquanto isso, os que defendem a Amazônia, a Petrobras, os direitos trabalhistas e o combate à fome — esses são “comunistas”. Porque, no manual bolsonarista, querer um país menos desigual é coisa de traidor. Já levantar faixa de campanha para o Trump dentro do parlamento, não — isso é “soberania com orgulho”.
Durante a pandemia, disseram que o isolamento social destruiria a economia. Agora, estão dispostos a prejudicá-la por inteiro só para tentar salvar Bolsonaro da Justiça.
Se antes a prioridade era salvar o país, agora é salvar o papai. Coerência zero, delírio mil.
É por isso que os verdadeiros patriotas não estão nas motociatas nem nos reels com filtro verde-e-amarelo. Estão nas trincheiras da democracia, tentando reconstruir um país que a extrema direita insiste em sabotar por capricho e recalque. Porque amar o Brasil não é gritar por ele — é protegê-lo de quem o usa como palanque.
No fim, quem levanta a bandeira dos EUA enquanto fala em “Brasil acima de tudo” já deixou bem claro: o Brasil está abaixo de tudo. Abaixo do ego, da idolatria, da hipocrisia. Abaixo até da lucidez.
O Brasil é dos brasileiros. O resto é teatro. E, francamente, agora a economia já não importa, mais – apenas o famoso: – “Trump, salva meu pai”. Hipócritas…



