sexta-feira, 17 abril, 2026

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Artigo: Cada centavo conta

Por: Rodrigo Segantini*

Hoje em dia, a palavra de ordem é austeridade. O dinheiro público não pode ser tratado como recurso infinito. São Tomás de Aquino já ensinava que o governante deve administrar os bens públicos com justiça e prudência, sempre visando o bem comum. O povo espera ver seu dinheiro bem aplicado, em serviços que funcionem de verdade — não em gastos desnecessários que só incham a máquina pública. Nesse sentido, o Tribunal de Contas de São Paulo divulgou um relatório mostrando o custo das Câmaras Municipais para suas cidades.

Na nossa região, dá para fazer diferente. Taquaritinga, com pouco mais de 53 mil habitantes, gasta com a Câmara cerca de R$ 4 milhões, o que representa um gasto por pessoa de aproximadamente R$ 78. Isso é 35% menos do que a média das cidades do mesmo porte, que gastam cerca de R$ 120 por habitante. Ou seja, aqui a Câmara é mais enxuta, mais econômica.

Porém, nem todas as notícias são boas na nossa comarca. Cândido Rodrigues gasta R$ 240 por habitante — um exagero! Santa Ernestina e Fernando Prestes, também cidades pequenas, mantêm gastos altos, pesando no bolso do contribuinte — R$ 160 e R$ 148 por pessoa, respectivamente. Gastar assim, em cidades pequenas, não faz sentido e pode indicar desperdício, seja por falta de controle ou excesso de custeio. Essa conta alta compromete recursos que poderiam ser investidos em áreas que realmente fazem a diferença para a população. É justo esse dispêndio tão elevado para manter o Legislativo?Jaboticabal, com população similar à de Taquaritinga, gasta mais que o dobro por habitante na Câmara, chegando a R$ 177. Em contrapartida, Mirassol, com tamanho parecido, se destaca por sua economia, gastando menos de R$ 50 por pessoa, provando que o controle de custos é possível. Taquaritinga está em um patamar equilibrado, similar ao que Ribeirão Preto e São José do Rio Preto alcançam.

Isso mostra que o tamanho da cidade não pode ser desculpa para gastos excessivos. O que importa é a decisão firme de assumir a responsabilidade fiscal. O povo não quer ver a Câmara transformada em cabide de empregos ou palco de exageros financeiros, mas sim uma instituição que faça seu trabalho direito, respeitando o dinheiro público e fiscalizando os serviços públicos. Maquiavel, em “O Príncipe”, lembra que o político não existe para satisfazer interesses pessoais, mas para garantir que a população usufrua dos benefícios de sua gestão. Não há maior recompensa para o governante do que a confiança e o respeito do povo, conquistados pela justiça e prudência.

Ser austero não é apenas economizar para mostrar números baixos. É cuidar para que o dinheiro público gere benefícios reais, hoje e no futuro. O modelo de Taquaritinga mostra que isso é possível e deveria ser exemplo para outras cidades. No fim, a verdadeira representação do povo não se mede pelo volume de gastos, mas pela capacidade de fazer mais com menos, respeitando quem paga a conta.

Quem administra o dinheiro público com responsabilidade honra a confiança do cidadão. É hora de as câmaras entenderem que respeito ao contribuinte passa por gestão econômica, transparente e eficiente. O povo só tem a ganhar quando a austeridade vira compromisso verdadeiro. É isso que esperamos e queremos dos nossos vereadores.

*Rodrigo Segantini é advogado, professor universitário, mestre em psicologia pela Famerp.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.