quarta-feira, 10 junho, 2026

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Jogando Limpo – O novo Mundial de Clubes: um sonho da FIFA, uma incógnita para o futebol

Por: Rodrigo Panichelli*

A FIFA nunca escondeu o desejo. Aliás, nunca soube esconder. Desde os tempos em que se pintava como guardiã do futebol e não apenas como cartório do poder, a entidade máxima do esporte sonhava com uma Copa do Mundo de Clubes digna do nome que carrega. E agora, em 2025, o que era projeto virou tabela. O que era ideia virou palco. Nos Estados Unidos, terra onde o soccer virou business antes de ser paixão, vai começar o primeiro Mundial de Clubes no novo formato, que lembra — e muito — a velha e boa Copa do Mundo de seleções.

E não por acaso.

Se a Copa das Confederações saiu de cena depois de cumprir sua missão como ensaio geral para o Mundial, este novo torneio pode muito bem ser o novo tapete vermelho. Um troféu que brilha, sim, mas que também carrega nos bastidores o velho jogo de poder: conquistar votos, agradar federações, costurar alianças. Porque, como diria aquele velho ditado: não existe almoço grátis. E o cardápio da FIFA é sempre político.

Será a cada quatro anos. Com os campeões continentais, vice-campeões e convidados, os gigantes de sempre, os emergentes e as surpresas que o futebol sempre nos dá. E ainda que seja tratado como a Copa do Mundo dos clubes, talvez não passe de uma tentativa (bem-produzida, diga-se) de capitalizar ainda mais a marca da entidade. Porque no fundo, o que vale é quem levanta a taça. E quem paga a conta depois.

Ainda não sabemos o que será desse novo Mundial. Se vai empolgar como a Copa. Se vai valer tanto quanto o tradicional torneio de fim de ano. Se o torcedor vai abraçar ou apenas assistir. Mas como tudo no futebol, o tempo, o campo e a paixão dirão.

Por enquanto, o que temos é uma nova vitrine, uma nova chance de medir forças com os gigantes — e uma certeza: se o futebol é o esporte mais democrático do planeta, ele ainda é governado por interesses que nem sempre entram em campo com a bola nos pés.

Mas se o jogo for bom, se o gol for bonito e a torcida gritar, quem sabe a gente não se apaixona de novo?

*Rodrigo Panichelli é colaborador de O Defensor.