Nesta sexta-feira, 18 de setembro, é celebrado o Dia Internacional da Igualdade Salarial. A data existe para colocar em evidência uma realidade que, apesar de décadas de debates, leis e avanços sociais, continua presente no mercado de trabalho: mulheres ainda recebem menos do que homens
Em média, a diferença salarial global permanece próxima de 20%, segundo dados apresentados pela Organização Internacional do Trabalho. Trata-se de uma desigualdade que não pode ser explicada por uma única causa. Discriminação, concentração feminina em setores menos valorizados, dificuldades de acesso aos cargos de liderança e os impactos da maternidade e das responsabilidades de cuidado fazem parte desse cenário.
A questão central, porém, deveria ser muito mais simples.
Trabalho de igual valor precisa resultar em remuneração equivalente.
Pagar menos a uma mulher simplesmente por ser mulher não é apenas injusto. É uma prática incompatível com qualquer sociedade que pretenda defender igualdade de oportunidades e reconhecer profissionais por aquilo que efetivamente produzem, por sua qualificação e pelas responsabilidades que assumem.
O problema se torna ainda mais evidente quando observamos que as desigualdades não terminam no salário.
Em muitas famílias, são as mulheres que continuam assumindo parcela maior das responsabilidades domésticas e do cuidado com filhos, idosos ou outros familiares. Essa sobrecarga interfere diretamente na disponibilidade para jornadas profissionais, especializações, promoções e oportunidades de crescimento.
Por isso, discutir igualdade salarial também significa discutir condições reais para que homens e mulheres possam competir profissionalmente em condições semelhantes.
No Brasil, houve um avanço importante com a Lei nº 14.611, de 2023, que tornou obrigatória a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens para trabalho de igual valor ou exercício da mesma função. A legislação também estabeleceu mecanismos de transparência e determinou a publicação semestral de relatórios salariais para empresas privadas com 100 ou mais empregados.
A existência de uma lei, contudo, não encerra a discussão.
Leis precisam ser cumpridas, fiscalizadas e transformadas em realidade dentro das empresas.
Não basta defender igualdade no discurso enquanto promoções, salários e oportunidades continuam sendo distribuídos de maneira desigual.
Da mesma forma, igualdade salarial não significa privilegiar mulheres nem estabelecer remunerações artificiais. Significa algo muito mais elementar: critérios profissionais equivalentes precisam produzir tratamento equivalente.
O Dia Internacional da Igualdade Salarial foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2019 e teve sua primeira celebração em 2020. Desde então, o dia 18 de setembro passou a representar internacionalmente o esforço pela garantia de pagamento igual para trabalho de igual valor.
Mais de seis anos depois daquela primeira celebração, o desafio permanece.
E talvez seja justamente essa permanência que mais deveria nos incomodar.
Porque quando duas pessoas exercem funções equivalentes, possuem responsabilidades semelhantes e entregam o mesmo valor profissional, o gênero de quem ocupa aquela função não deveria aparecer no contracheque.
Igualdade salarial não deveria ser uma reivindicação extraordinária. Deveria ser simplesmente o normal.




