quinta-feira, 17 setembro, 2026
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Nossa Palavra – Saúde mental não pode ser assunto apenas de setembro

O Dia Nacional de Prevenção da Automutilação, celebrado em 17 de setembro, precisa ser mais do que uma data simbólica. Precisa servir como um chamado à responsabilidade

A automutilação é uma manifestação de sofrimento que não pode ser tratada com banalização, preconceito ou frases prontas. Quando alguém chega ao ponto de ferir o próprio corpo, existe ali uma situação que exige atenção, acolhimento e encaminhamento adequado.

Infelizmente, ainda convivemos com uma cultura que minimiza a dor emocional.

É comum ouvir que determinada pessoa precisa “ser forte”, “parar de pensar nisso” ou “ocupar a cabeça”. Esse tipo de comentário, além de não resolver o problema, pode aprofundar o isolamento de quem já encontra dificuldade para pedir ajuda.

Saúde mental é saúde!

Parece uma afirmação óbvia, mas ainda precisa ser repetida.

Se procuramos atendimento médico diante de uma dor física, por que ainda existe resistência quando o sofrimento é psicológico? Não deveria haver vergonha em procurar um psicólogo, um psiquiatra, uma unidade de saúde ou um serviço especializado.

Da mesma forma, família, escola, amigos e poder público não podem se eximir de responsabilidade.

Prevenção exige uma rede funcionando.

As famílias precisam criar espaço para diálogo verdadeiro. As escolas devem estar preparadas para identificar sinais de sofrimento e agir com responsabilidade. Os serviços públicos precisam oferecer acesso, continuidade no atendimento e profissionais capacitados.

Campanhas também são necessárias. Contudo, cartazes, palestras e publicações durante setembro não bastam se, nos demais meses do ano, o assunto simplesmente desaparecer.

Esse é um dos pontos que mais precisam ser enfrentados.

Não adianta transformar saúde mental em campanha sazonal.

A prevenção precisa existir em janeiro, abril, julho, setembro e dezembro.

Também é preciso combater a ideia de que falar sobre sofrimento é sinal de fraqueza. Muitas vezes, quem está em dificuldade não consegue formular claramente um pedido de ajuda. Por isso, saber ouvir é tão importante quanto saber falar.

Perguntar “você está bem?” é simples.

Ouvir sinceramente quando a resposta for “não” é outra história.

Neste 17 de setembro, a sociedade precisa compreender que prevenção não se faz apenas com informação. Faz-se com escuta, estrutura, atendimento e respeito.

Precisamos de menos julgamento! Menos indiferença! Menos silêncio! E de muito mais acolhimento!

Quem estiver enfrentando sofrimento emocional pode procurar as Unidades Básicas de Saúde, os CAPS e outros serviços da rede pública de saúde. O Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188, também oferece atendimento gratuito, 24 horas por dia.

O enfrentamento da automutilação começa quando deixamos de tratar a dor do outro como exagero. E passa a ser efetivo quando entendemos que cuidar da saúde mental é responsabilidade de todos.