quinta-feira, 20 agosto, 2026
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Artigo: Uma década contada entre amigos, memória e história…

Por: Gustavo Girotto*

 

O Salão Nobre da Velha Escola, no Largo de São Francisco, ficou pequeno para receber amigos, autoridades e personalidades que foram prestigiar o lançamento de *Década Contada*, obra do meu amigo Dimas Ramalho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

A presença de nomes como o ex-presidente Michel Temer, José Aníbal, Mustafá Contursi, o desembargador Ivan Sartori, Geraldo Vinholi e mais algumas dezenas de autoridades deram à noite a dimensão de uma trajetória que atravessa diferentes momentos da vida pública brasileira. Mais do que uma sessão de autógrafos, o encontro foi uma celebração de amizades, de histórias compartilhadas e de uma vida dedicada à causa pública.

Dimas sempre transitou por ambientes distintos — a política, o Ministério Público, o Judiciário, a academia e o Palmeiras — sem jamais perder aquilo que talvez seja sua característica mais marcante: a serenidade. Discreto, elegante e avesso aos holofotes fáceis, construiu ao longo dos anos uma reputação assentada em princípios, lealdades e uma reserva moral que hoje parece cada vez mais rara.

Nascido em Taquaritinga, Dimas é, sem dúvida, uma das maiores personalidades que a cidade já gestou. Sua trajetória é daquelas que ultrapassam cargos e posições. É feita de encontros, responsabilidade, amizades e da capacidade de permanecer fiel a si mesmo mesmo quando a vida pública exige justamente o contrário.

Formado pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, Dimas ingressou no Ministério Público do Estado de São Paulo em 1980, como promotor de Justiça, chegando a procurador de Justiça em 1994. No campo acadêmico, tornou-se professor.

Sua história também se confunde com a do Palmeiras, instituição pela qual nutre uma paixão que convive, curiosamente, com a mesma serenidade que marcou sua atuação profissional e pública. Em todos esses universos, Dimas parece ter escolhido o mesmo caminho: participar sem fazer alarde, liderar sem precisar levantar a voz e preservar, acima de tudo, a dignidade das relações.

Talvez seja esse o verdadeiro significado de *Década Contada*: não apenas dez anos registrados em páginas, mas uma década vista pelos olhos de quem soube testemunhar a política, o Direito, as instituições e a vida com a prudência de quem conhece o valor da memória.

Ao lado de Andrea Ramalho, sua companheira de vida, Dimas também construiu uma família que se tornou parte da minha própria história. Andrea me presenteou com dois amigos queridos, Horacinho Ramalho Neto e Marcelo — mais uma dessas delicadezas que a vida oferece quando os caminhos se cruzam e as amizades deixam de ser circunstanciais para se tornarem permanentes.

Na velha Faculdade de Direito, entre amigos antigos, autoridades e tantas histórias, Dimas lançou seu livro. E talvez não haja lugar mais simbólico para fazê-lo. Porque algumas trajetórias merecem ser contadas. E algumas amizades, celebradas.

Parabéns, meu amigo, por Década Contada — e, sobretudo, pela história que existe antes dela e por todas as páginas que ainda estão por vir. Ao lado da família, também estava um amigo fiel, como meu pai, o presidente eleito da Associação Médica Brasileira (AMB), Prof. Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, taquaritinguense. Uma parte do que me tornei, Dimas Ramalho teve papel fundamental-, pois jamais abandonou minha família com sua amizade nas travessias mais duras…

*Gustavo Girotto é jornalista.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.