Por: Rodrigo Panichelli*
Tem jogo que termina com o apito final. E tem jogo que continua dentro da gente.
As finais da Copa Benja de Futebol de Base nas categorias Sub-11, Sub-13 e Sub-15, encerradas neste fim de semana, mostraram mais uma vez que Taquaritinga tem algo que não pode ser medido apenas em gols, troféus ou medalhas: a cidade respira futebol de base.
Foram finais disputadas, nervosas, emocionantes. Daquelas em que cada dividida parece valer uma final de Copa do Mundo e cada bola parada faz o coração acelerar alguns batimentos a mais.
Mas, se existe uma partida que ficará guardada de maneira especial para mim, foi a decisão do Sub-13.
De um lado, a Arena Bola na Rede. Do outro a Escolinha do Tio Arnaldo, um adversário que vendeu caro a cada minuto da partida. Abrimos vantagem por duas vezes. E duas vezes o jogo nos ensinou uma das maiores lições do futebol: vantagem não significa tranquilidade.
O adversário buscou o empate e levou a decisão para os pênaltis. E aí começa outro jogo.
Nos pênaltis, não existe apenas técnica. Existe fundamento, claro. Existe treinamento, repetição, escolha do canto, posicionamento do goleiro, leitura do cobrador. Mas existe também algo que nenhum treino consegue ensinar completamente: o estado de espírito.
Ali, na marca da cal, a bola pesa diferente.
Como técnico, confesso: estava muito nervoso. Seria impossível não estar. Afinal, aqueles meninos e meninas carregavam no rosto a expectativa de quem havia trabalhado, treinado e sonhado com aquele momento.
Mas era justamente ali que eu precisava controlar a minha emoção.
Junto da comissão técnica, procuramos transmitir aquilo que os jogadores mais precisavam naquele instante: confiança, segurança e tranquilidade.
Porque, antes de cobrar um pênalti, o jogador precisa acreditar que é capaz de fazê-lo.
E talvez essa seja uma das maiores belezas do futebol de base. Ensinar que, mesmo quando o coração dispara, é preciso respirar. Olhar para a bola. Fazer o que foi treinado. E confiar.
A técnica ajuda. O fundamento ajuda. O treino ajuda. Mas a sensação de dever cumprido também ajuda.
Quando o atleta chega à marca da penalidade sabendo que fez tudo o que podia durante a semana, que treinou, que ouviu, que se preparou e que tem ao seu lado uma comissão que acredita nele, a tranquilidade pode transformar a performance.
A Arena Bola na Rede venceu a disputa de pênaltis e levantou a taça de campeã do Sub-13.
Para mim, como treinador, foi uma mistura difícil de explicar. Alívio, orgulho, emoção e, acima de tudo, a certeza de que o futebol de base vai muito além do resultado.
Porque o troféu fica na estante. A experiência fica para a vida.
E talvez seja justamente por isso que as finais da Copa Benja tenham valido tanto.
Quem esteve nos campos neste fim de semana viu mais do que três decisões. Viu crianças e adolescentes vivendo experiências que um dia serão lembradas com carinho. Viu treinadores aprendendo a controlar a própria ansiedade para transmitir segurança aos seus atletas.
E Taquaritinga pode comemorar.
O futebol de base de Taquaritinga respira.
E eu tive o privilégio de estar dentro de uma dessas histórias.
Naquela final do Sub-13, entre a tensão dos pênaltis e a alegria do título, ficou uma certeza: naquele campo, naquele dia, o futebol valeu ouro.
E, para quem ama futebol de base, não há medalha maior.




