Quando o discurso vira ciclo, tudo se repete.
Por: Igor Sant’Anna*
“Me dê mais 4 anos!”
A frase que mais ecoa no cenário político brasileiro há décadas e principalmente em época de campanha. Em Brasília, ela já atravessou diferentes governos, partidos e promessas. Em muitas cidades do interior, como Taquaritinga, o roteiro não é muito diferente. Muda o palanque, mudam os nomes, mas os velhos discursos e sobrenomes permanecem.
No Brasil, vimos projetos que pediram continuidade para concluir reformas, ajustar a economia, melhorar a saúde, fortalecer a educação. Em alguns momentos houve avanços; em outros, o que se viu foi a repetição do argumento de que “agora vai”. A pergunta que fica é: se após tantos ciclos ainda se pede mais tempo, o problema é o prazo ou a prioridade?
Em Taquaritinga, a analogia é inevitável. Quantas vezes ouvimos que falta apenas mais um mandato para resolver questões estruturais? Iluminação pública, manutenção de bairros, valorização de servidores, desenvolvimento econômico, apoio ao comércio local, temas que atravessam gestões e continuam sendo promessas recorrentes.
O Brasil ensina uma lição importante: tempo não substitui gestão. Planejamento não pode ser improviso. Continuidade só faz sentido quando há resultado concreto para continuar. Caso contrário, o que se perpetua não é o progresso, mas o ciclo.
Assim como o país não pode viver eternamente de expectativas, Taquaritinga também não pode se contentar com discursos repetidos. A cidade precisa de metas claras, indicadores públicos, prazos definidos, transparência e prestação de contas constante. Política não é pedido de crédito infinito; é contrato com data para entregar.
Quando “mais 4 anos” se torna argumento permanente, o risco é naturalizar a lentidão, aceitar o básico como conquista e transformar o extraordinário em exceção. O Brasil já pagou caro por ciclos longos de promessas. As cidades que aprenderam com isso evoluíram. As que não aprenderam continuam aguardando o próximo mandato salvador.
A verdadeira esperança não está em repetir o tempo. Está em mudar a forma de governar.
Porque, seja no Brasil ou em Taquaritinga, o relógio é o mesmo e quem paga por cada ciclo improdutivo é sempre o cidadão.
*Igor Sant’Anna é colaborador de O Defensor.
**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.



