Por: Gabriel Bagliotti*
A inauguração da nova sede da Associart, marcada para o próximo dia 28 de fevereiro, às 10h, na Rodoviária de Taquaritinga, representa mais do que a simples mudança de endereço. Para mim, que acompanho há anos o trabalho dos artesãos da cidade, esse momento simboliza resistência, valorização cultural e, sobretudo, reconhecimento de um setor que segue firme mesmo diante das dificuldades impostas pelo tempo e pelas políticas públicas quase sempre insuficientes.
Quando a presidente Luci Johannsen Genovez convida associados, familiares, autoridades e a comunidade para celebrar essa conquista, ela não está apenas anunciando um evento. Está reafirmando uma luta coletiva que envolve dedicação, criatividade e a busca constante por espaço. O artesanato, tantas vezes relegado ao segundo plano, carrega a identidade de uma cidade. É nas mãos desses artesãos que Taquaritinga se revela em cores, texturas e histórias.
A escolha da Rodoviária como novo ponto de instalação também tem seu peso simbólico. Ali circulam diariamente moradores, trabalhadores e visitantes, gente que talvez ainda não conheça a produção artesanal local. Estar nesse local é ocupar um território de passagem com a força do trabalho manual. É se fazer ver. E visibilidade é algo que há muito tempo esses profissionais merecem.
Vejo nessa inauguração uma oportunidade de aproximação entre comunidade e artesãos. Mais do que isso, enxergo nela um passo estratégico para fortalecer a economia criativa da cidade. Um ambiente adequado, acessível e em um ponto movimentado pode impulsionar vendas, ampliar projetos e abrir portas para novas parcerias. Ao mesmo tempo, reforça a importância da organização coletiva, porque a Associart só chegou até aqui graças ao comprometimento de seus membros e ao esforço contínuo para manter viva a chama da produção artesanal.
A presença da população no evento não será apenas um gesto de apoio. Será também reconhecimento da relevância do artesanato enquanto patrimônio cultural. Em tempos em que tudo parece acelerado e descartável, valorizar quem produz com as próprias mãos é quase um ato de resistência.
Por isso, acredito hoje será mais do que uma cerimônia. Será a celebração de uma história que se renova, que se adapta e que insiste em mostrar que arte e trabalho caminham juntos. E, como jornalista e observador desse movimento, faço questão de destacar que cada espaço conquistado pelos artesãos é também um avanço para toda a cidade.
*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.



