Um olhar sobre a grandiosidade da folia que começa na próxima sexta feira
Por: Gabriel Bagliotti*
À medida que fevereiro avança, Taquaritinga ganha uma cadência própria. A cidade pulsa diferente, como se estivesse prestes a despertar para seus dias mais intensos do ano. A partir desta sexta feira, 13 de fevereiro, teremos novamente o início daquele que, sem exagero, considero o maior carnaval do interior paulista. E não é apenas a grandeza da festa que impressiona, mas a capacidade de abraçar todos os públicos, espalhar cultura por cada distrito e manter viva sua tradição de décadas.
O esquenta começou antes mesmo da data oficial. Na quarta-feira, Jurupema abriu sua rua principal para receber a Dissidência do Samba Batata Doce, num pré-carnaval que reunirá famílias e amigos em clima de confraternização. Na quinta, será a vez de Guariroba ganhar vida, com o Bloco Babadikiabo acompanhado de DJ, animando o Salão de Festas da Praça José Pires de Goes. Esse cuidado em descentralizar a folia sempre me chama a atenção, porque revela um compromisso real em levar cultura a todos.
Agora, com a proximidade da grande abertura, a programação ganha corpo. Na sexta, a Rua Campos Sales, no cruzamento com a Marechal Deodoro, se transformará no coração da festa. Às 22 horas, o Trio Elétrico Batatão inicia a folia com a Banda Matrix. Uma hora depois, o mesmo trio recebe o DJ Cláudio Nunes e Juninho Khavera, mantendo o ritmo da noite. É a largada oficial que abre caminho para dias de rua cheia e energia inesgotável.
O sábado promete ainda mais intensidade. O Batatão volta à cena às 21 horas com o Bloco DNA, seguido trinta minutos depois pelo Babadikiabo, dois grupos que já fazem parte da identidade carnavalesca local. Às 22h30, o trio novamente abraça a música eletrônica com a dupla de DJs que se tornou marca registrada da festa. O que se vê nessa noite é a mistura perfeita entre blocos tradicionais, novas gerações e atrações que atualizam a sonoridade do carnaval.
O domingo começa com a Jardineirinha da Tarde às 16 horas, destinada às crianças, com DJ, personagens infantis, pipoca e algodão doce saindo da EMEB Domingues da Silva. No mesmo horário, Vila Negri revive suas matinês na Praça Central, mantendo uma tradição afetiva que atravessa décadas. Mas é às 19h30 que a cidade inteira se volta para a Prudente de Morais. É ali que ocorre o grande desfile dos blocos e escolas de samba, um espetáculo que reúne desde o Bloco da Terceira Idade até Os Piratas, passando pela Escola de Samba Renascidos do Samba, Dissidência do Samba Batata Doce, DNA e Babadikiabo. Para mim, esse desfile é onde Taquaritinga se reconhece em sua melhor versão. A noite continua na Campos Sales com o Batatão recebendo Os Piratas às 22h30 e um DJ escolhido em concurso às 23h30, uma forma inteligente de incentivar novos talentos.
Na segunda, o ritmo não diminui. A partir das 21 horas, a Dissidência do Samba Batata Doce retorna, seguida às 21h30 pela dupla Ulisses e Moisés. A madrugada é novamente entregue a Cláudio Nunes e Juninho Khavera, que encerram a noite às 23h30. É curioso observar como a segunda feira de carnaval, muitas vezes mais tranquila em outras cidades, aqui mantém força total.
A terça encerra o ciclo com outro grande desfile às 19h30, repetindo o trajeto da Prudente de Morais e trazendo novamente os blocos e escolas que formam o coração da festa. A noite segue com o Batatão recebendo às 22h30 o Bloco CMS Cromossomos, e às 23h30 a dupla de DJs que, mais uma vez, fecha a noite.
Há, ainda, um capítulo à parte: a Jardineira da Tarde. Com concentração na Visconde do Rio Branco, em frente à EMEB Domingues da Silva, ela circula nos dias 14 e 16, saindo às 17h30 após um esquenta do Bloco Chame Gente. O percurso até a Praça Dr. Waldemar D’Ambrósio transforma o trajeto em um corredor de alegria popular. A chegada é marcada pela Jardineira da Alegria e pela participação especial da Rádio Massa FM, num encontro que mistura música, tradição e memória afetiva.
A programação alternativa no Palco Jardineira complementa o cenário com apresentações diárias. Sexta reúne o Bloco Espanta Gente e o Babadikiabo. No sábado, o Chame Gente abre a tarde, seguido pelo Mega Trio de Messias Gabriel. O domingo fica por conta do CMS Cromossomos. A segunda repete a fórmula de sábado, enquanto a terça entrega horas de música com DJ Cláudio Nunes e o Cromossomos. Essa alternativa funciona como um braço da festa, oferecendo um ponto fixo de programação paralela e gratuita.
Observo tudo isso percebo que Taquaritinga não organiza apenas uma festa. Ela sustenta um patrimônio cultural. A integração entre Prefeitura, Liga de Carnaval, associações e blocos mostra uma cidade que se reconhece na folia e se fortalece nela. A diversidade da programação, a ocupação dos espaços públicos e o cuidado com todas as idades revelam um carnaval que cresce sem perder sua essência.
A partir de sexta-feira, Taquaritinga acende novamente sua identidade mais vibrante. Eu estarei lá acompanhando cada movimento, porque o carnaval daqui não é só um evento. É a expressão viva de quem somos e do que queremos preservar.



