sexta-feira, 19 junho, 2026

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Fique atento: Temporada de chuvas acende alerta para quedas e fraturas graves entre idosos

Especialistas apontam aumento do risco em períodos chuvosos e reforçam a prevenção como principal estratégia de saúde pública

Com a chegada da temporada de chuvas, cresce de forma significativa o risco de quedas entre pessoas com mais de 60 anos, cenário que preocupa profissionais da saúde e gestores públicos. Calçadas escorregadias, pisos molhados e desníveis urbanos passam a representar ameaças diárias para uma população que, naturalmente, já enfrenta redução do equilíbrio, perda de massa muscular e fragilidade óssea. O resultado é um aumento expressivo de fraturas graves, sobretudo de quadril e fêmur, com impactos diretos na mortalidade e na qualidade de vida dos idosos.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, a partir dos 60 anos, as quedas ocupam a segunda posição entre as causas externas de óbito. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reforçam a gravidade do problema ao apontar que a mortalidade acumulada em um ano após a hospitalização por fraturas decorrentes de queda chega a 25,2%, número significativamente superior aos 4% registrados entre idosos sem fraturas graves. Nesse contexto, a estação chuvosa potencializa riscos já existentes e amplia a pressão sobre o sistema de saúde.

Segundo o cirurgião de quadril Dr. Fábio Elói, especialista pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ) e pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), as consequências das quedas em idosos vão além da lesão imediata. “Além da maior propensão a fraturas, o tempo de recuperação costuma ser mais longo e, muitas vezes, compromete de forma definitiva a mobilidade, a independência e a qualidade de vida”, explica. Fraturas de quadril e fêmur, destaca o médico, frequentemente exigem cirurgia, o que eleva o risco de complicações clínicas.

Esses procedimentos cirúrgicos são considerados de grande porte e, conforme protocolos médicos, devem ser realizados, sempre que possível, entre 24 e 48 horas após a queda, reduzindo a incidência de infecções, tromboses, complicações cardíacas e mortalidade. O tratamento pode envolver osteossíntese, com fixação interna por placas, parafusos ou hastes, ou artroplastia parcial ou total do quadril, indicada em fraturas mais graves. No pós-operatório, a reabilitação demanda atuação multidisciplinar, com fisioterapia precoce para evitar pneumonia, perda muscular e outras complicações da imobilidade prolongada.

Apesar dos avanços cirúrgicos, especialistas são unânimes ao afirmar que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. A adaptação do ambiente doméstico, com corrimões, tapetes antiderrapantes e iluminação adequada, avaliações médicas regulares, controle da osteoporose, prática de exercícios de equilíbrio e fortalecimento, além do uso de calçados seguros, são medidas essenciais. Durante períodos de chuva, a orientação é redobrar a atenção em superfícies molhadas, dentro e fora de casa.

Diante do envelhecimento da população brasileira, o tema se consolida como uma questão de saúde pública. A combinação entre informação, prevenção e políticas de cuidado contínuo pode reduzir acidentes evitáveis e preservar autonomia, mobilidade e vidas.