Por: Lucas Fanelli*
Olá caro leitor, espero que você esteja bem. Hoje a indicação vem com desabafo. Confesso: poucas vezes um livro conseguiu me deixar tão intrigado e, ao mesmo tempo, tão desgostoso quanto A Paciente Silenciosa. A obra de Alex Michaelides é vendida como um thriller psicológico arrebatador, mas eu diria que é mais um manual de como deixar o leitor com cara de tacho.
A protagonista, Alicia Berenson, é uma pintora talentosa que, após supostamente assassinar o marido, decide que falar é opcional. E cá entre nós, quem nunca quis se calar diante de certas pessoas? Talvez Alicia só estivesse cansada de responder “você também trabalha ou só pinta quadros?”.
O terapeuta Theo Faber, por sua vez, é aquele típico personagem que acredita ser o Sherlock Holmes da psicologia. Ele se mete na vida da paciente com uma curiosidade quase infantil, como se fosse o salvador do CFP, aliás, acredito muito que ele não leu o código de ética dos psicólogos. A diferença é que, em vez de atos heroicos e tato com a paciente, temos sessões de terapia que parecem mais interrogatórios da polícia.
O livro tenta nos convencer de que o silêncio de Alicia é um mistério profundo, mas às vezes soa como birra. Quem nunca ficou quieto só para ver o outro se desesperar? Alicia, nesse sentido, é a campeã mundial da “técnica do gelo”.
A narrativa é cheia de reviravoltas, e o autor parece se divertir em nos enganar. É como aquele amigo que conta uma história e, no final, diz: “brincadeira!”. O leitor passa páginas e páginas tentando decifrar pistas, apenas para descobrir que estava olhando para o lado errado o tempo todo.
E o final… ah, o final! É daqueles que fazem você fechar o livro e pensar: “então era isso?”. O plot twist é tão inesperado (e absurdo) que parece ter sido escrito depois do escritor estar cansado de tanto escrever sobre o silêncio que decidiu mudar as coisas.
Mas não se engane: apesar da ironia, A Paciente Silenciosa cumpre seu papel. Ele prende, irrita (muito), diverte e, principalmente, faz você questionar se deveria confiar em narradores obcecados.
No fundo, o livro é uma grande metáfora da vida: todos nós temos segredos, todos nós já ficamos em silêncio para não piorar a situação, e todos nós já encontramos um “Theo” que insiste em nos analisar sem ser chamado.
Se é um thriller genial ou apenas uma novela feita às pressas, deixo para você decidir. Eu, sinceramente, ainda estou tentando entender se Alicia é paciente ou apenas muito boa em ignorar gente chata.
E cá entre nós: talvez o maior mistério seja como um livro sobre silêncio conseguiu gerar tanto barulho no mercado editorial, afinal em todas as redes sociais só se falava sobre esse livro.



