sábado, 30 maio, 2026

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Artigo: Defender a autonomia da Medicina cooperativa

Por: Marcello Colombo Barboza*

Em 1967, nascia em Santos uma ideia que mudaria para sempre a saúde privada brasileira. Um grupo de médicos visionários provou que era possível cuidar das pessoas de um jeito diferente — com mais autonomia, qualidade e humanidade. Assim, se consolidou o cooperativismo médico, um modelo que, desde então, tem transformado o setor no país.

O cooperativismo é muito mais que uma simples forma de organização; é um profundo sentimento de pertencimento. Diferente das empresas tradicionais, aqui os médicos são donos do próprio negócio, dividindo responsabilidades e decisões de forma democrática. Cada cooperado é parte viva dessa estrutura e, por isso, cada conquista ou desafio é compartilhado por todos. Essa autonomia intrínseca permite oferecer um atendimento ético, personalizado e orientado pelo bem comum.

Como médico cooperado, vejo diariamente a força desse modelo, que valoriza o compromisso com o cuidado, fortalece a confiança dos pacientes e nos une em uma missão de responsabilidade coletiva.

Quase 60 anos depois, esse legado segue vivo e transformando vidas. A Unimed Santos, berço dessa revolução médica, representa hoje as cooperativas médicas em todo o mundo.

No entanto, o tempo mudou. A Medicina avança em ritmo acelerado com cirurgias robóticas e inteligência artificial, exigindo investimentos maciços e uma gestão moderna e implacável. A história mostra que a falta de adaptação não perdoa: algumas cooperativas que não evoluíram ficaram pelo caminho, provando que as vitórias do passado não garantem o futuro.

Mesmo sob a lupa rigorosa da ANS, em meio à judicialização crescente e às altas expectativas dos pacientes, o cooperativismo médico ainda é a melhor resposta para equilibrar qualidade e preservar nossa autonomia profissional. Mas, para seguir relevante, é preciso evoluir.

O futuro depende de decisões bem fundamentadas, do uso criterioso dos recursos e, principalmente, de mais diálogo com os próprios médicos que sustentam o sistema. A história nos ensinou que os resultados são fruto de um esforço de gerações, mas manter esse legado exige gestão responsável e engajamento efetivo de cada cooperado.

O recado é duro e direto: a omissão de poucos pode comprometer o trabalho de muitos.

Se em 1967 a união dos médicos de Santos mudou a saúde privada no Brasil, agora, mais do que nunca, é fundamental que nós, cooperados, renovemos nossas forças para garantir que esse movimento continue a evoluir com qualidade, ética e humanidade — construindo um futuro mais saudável para todos.

*Marcello Colombo Barboza é Professor universitário, doutor e livre-docente em Oftalmologia, MBA pela FGV em Gestão de Saúde e diretor clínico do Hospital Visão Laser.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.