quinta-feira, 30 abril, 2026

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Nossa Palavra – Agosto Dourado: quando a sociedade é chamada a proteger o que sustenta a vida

A amamentação vai além do ato de nutrir: é política pública, direito humano e responsabilidade coletiva. Mas até quando esse direito continuará sendo negado ou negligenciado?

Todos os anos, o mês de agosto ganha um novo brilho no calendário da saúde pública. Trata-se do Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. O “dourado” não é mera figura de linguagem: simboliza o padrão ouro de qualidade nutricional que o leite materno representa para o desenvolvimento infantil. Mas, por trás da simbologia, está uma dura realidade: mesmo com tanto conhecimento científico acumulado, a amamentação ainda é alvo de desinformação, preconceito e abandono institucional.

O aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e continuado até os dois anos ou mais, conforme recomendam a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, não é apenas uma escolha pessoal, mas uma estratégia eficaz de saúde pública. Reduz mortes infantis, previne doenças, favorece o desenvolvimento cognitivo e psicológico, e contribui para a construção de vínculos afetivos profundos entre mãe e filho. Para as mães, reduz riscos de câncer de mama, ovário e diabetes tipo 2.

Mesmo diante de tantos benefícios comprovados, o Brasil e o mundo ainda enfrentam barreiras estruturais e culturais que minam esse direito. Muitas mulheres são forçadas a interromper a amamentação precoce por falta de licença-maternidade adequada, ambientes de trabalho hostis, ausência de rede de apoio e julgamentos sociais. Outras, ainda, convivem com a pressão de fórmulas artificiais incentivadas por interesses comerciais, frequentemente mascarados sob rótulos de “opção moderna” ou “liberdade de escolha”.

O resultado dessa conjuntura é preocupante. Dados do Unicef revelam que menos da metade dos bebês do mundo é amamentada exclusivamente até os seis meses. No Brasil, apesar de avanços nas últimas décadas, a taxa de aleitamento exclusivo ainda está abaixo do ideal, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social.

Precisamos entender: amamentar não é um favor, é um direito. Direito da mãe de ter suporte, orientação e ambiente favorável. Direito da criança de receber o alimento mais completo e seguro que existe. E dever do Estado, das instituições e da sociedade como um todo em garantir que isso seja possível, do parto humanizado à licença parental estendida, do combate à publicidade abusiva à criação de salas de amamentação nos espaços públicos e privados.

O Jornal O Defensor, que há mais de 40 anos leva informação ética, apartidária e comprometida com o bem comum à população de Taquaritinga e região, reafirma seu compromisso com pautas que interessam à coletividade — e a defesa do aleitamento materno é uma delas. Não basta romantizar a maternidade em campanhas institucionais: é preciso garantir condições reais e dignas para que cada mulher tenha liberdade para amamentar, se quiser, quando quiser e onde quiser.

Neste Agosto Dourado, convidamos nossos leitores a olhar com mais empatia, mais respeito e mais atenção para essa causa. Que a campanha não se limite a agosto, mas se estenda como uma prática permanente de valorização da vida e da saúde. E que possamos, enquanto sociedade, tirar o peso exclusivo das costas das mães e dividir a responsabilidade por uma infância mais saudável e uma maternidade mais acolhedora.