Apesar de leve queda nas exportações, aumento nas compras externas pode sinalizar expansão da atividade industrial nos municípios da região de Araraquara
A indústria da região de Araraquara (no qual Taquaritinga está englobada) registrou um avanço expressivo nas importações no primeiro semestre de 2025, segundo dados do relatório mensal de comércio exterior elaborado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). Entre janeiro e junho, as empresas da regional movimentaram US$ 690,9 milhões em compras externas, um crescimento de 34,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, as exportações somaram US$ 1,12 bilhão, com uma leve retração de 1,7% em comparação ao primeiro semestre de 2024. Apesar da queda, o desempenho continua sólido, mantendo a região entre os principais polos exportadores do interior paulista.
A regional do CIESP Araraquara abrange 17 municípios e tem acompanhado de perto os dados consolidados do setor. De acordo com Bruno Naddeo, diretor regional, o aumento nas importações pode refletir uma retomada de investimentos por parte das indústrias locais, que vêm ampliando suas operações e atualizando seus parques fabris. “O crescimento das compras externas, especialmente de bens de capital e insumos industriais, indica maior atividade produtiva e preparação para novos ciclos de expansão”, afirma.
Entre os principais itens importados no período estão máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (35,8%), seguidos por aeronaves e aparelhos espaciais (26,2%) e materiais elétricos (11,4%). Esses produtos são, em sua maioria, utilizados em processos industriais e refletem o aumento da demanda por tecnologia e eficiência produtiva.
Nas exportações, o destaque foi para as preparações de produtos hortícolas, que representaram 37,1% do total vendido ao exterior. Também se destacaram aeronaves e aparelhos espaciais (26,8%) e açúcares e produtos de confeitaria (13,4%), evidenciando a diversidade da pauta exportadora regional.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal parceiro comercial da região, com 42,1% das exportações e 51,7% das importações. Na sequência, aparecem os Países Baixos (18%) e a China (6,7%) entre os destinos das exportações, e Portugal (10,6%) e China (6,3%) entre os principais países fornecedores.
Contudo, o cenário de crescimento é acompanhado de certa apreensão por parte dos industriais. Em nota oficial, o CIESP manifestou preocupação com as recentes declarações do presidente americano Donald Trump, que ameaçou impor tarifas de 50% às importações brasileiras, alegando desequilíbrio na balança comercial entre os países. A entidade considera a justificativa infundada, destacando que, na última década, os EUA acumularam superávit de US$ 91,6 bilhões nas trocas com o Brasil em bens, e de US$ 256,9 bilhões se considerados também os serviços.
Para o CIESP, o uso de medidas tarifárias como ferramenta de confronto político entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fere a lógica do comércio internacional. “Questões pessoais e ideológicas não devem influenciar relações comerciais entre nações”, afirma o texto. A entidade defende o respeito à soberania nacional e ao diálogo diplomático, alertando que decisões unilaterais podem trazer prejuízos severos às economias e à sociedade como um todo.
Apesar das incertezas externas, os dados da balança comercial regional indicam movimentações estratégicas e uma possível aceleração da atividade industrial para o segundo semestre, impulsionadas pela confiança no ambiente interno e pela demanda por modernização no setor produtivo.



