Por: Rodrigo Segantini*
As festas populares de Taquaritinga sempre foram uma referência para nossa gente. Elas enchiam as ruas, atraíam visitantes, movimentavam o comércio e davam à cidade uma identidade pulsante, que unia tradição, fé e desenvolvimento. O Carnaval, com o Batatão, os blocos e as repúblicas; o Corpus Christi, com seus tapetes coloridos cuidadosamente preparados por mãos devotas; a Festa do Peão, com seus shows lotados e os tradicionais rodeios; as quermesses animadas nas praças e igrejas; os festejos natalinos e as comemorações do aniversário da cidade formavam um calendário vibrante, que orgulhava gerações.
Hoje, no entanto, quem percorre as mesmas ruas não pode deixar de sentir o vazio que lentamente foi se instalando. As festas ainda existem, é verdade, mas perderam força, fôlego e capacidade de atrair quem antes vinha de longe. O comércio sente essa diferença com intensidade crescente. Hotéis, restaurantes e serviços sobrevivem de um movimento modesto, distante daquele que já enchia a cidade de vida. A energia que fazia Taquaritinga pulsar foi, pouco a pouco, se apagando, num compasso silencioso de crises políticas, administrativas e financeiras que atingiram em cheio a Prefeitura. A máquina pública, consumida por dificuldades de gestão e sucessivas instabilidades institucionais, perdeu a capacidade de exercer seu papel articulador e indutor do desenvolvimento. Sem apoio estruturado, as festas passaram a depender quase exclusivamente do esforço isolado de comissões e voluntários, que, embora extremamente dedicados, não conseguem suprir sozinhos a ausência de planejamento e de investimento coordenado.
Mas a responsabilidade não recai apenas sobre o poder público. A cidade como um todo foi, aos poucos, se acomodando nesse cenário. Existe, sim, um sentimento latente, quase sufocado, entre empresários, comerciantes, profissionais liberais e cidadãos comuns que ainda acreditam em uma Taquaritinga vibrante e próspera. Todos sabem do seu potencial. Mas o desejo, por si só, não constrói. É preciso ação. E ação coletiva, madura, planejada e corajosa.
Não adianta buscar culpados ou alimentar nostalgias paralisantes. O que se exige agora é enfrentar a realidade com seriedade e responsabilidade. Enquanto cidades vizinhas, com trajetórias semelhantes, souberam se organizar, profissionalizar suas festas, criar roteiros turísticos, captar investimentos e se reinventar economicamente, Taquaritinga permaneceu parada, sobrevivendo do prestígio do passado, que vai sendo corroído, dia após dia, como a ferrugem que lentamente consome o ferro. É doloroso reconhecer isso, mas é ainda mais doloroso fingir que não acontece.
A cidade possui todos os elementos nas mãos: tradição cultural consolidada, fé religiosa viva, história rica, localização estratégica e, sobretudo, um povo acolhedor, trabalhador e orgulhoso de suas raízes. Falta dar o passo seguinte com visão, profissionalismo e responsabilidade. É possível organizar profissionalmente os eventos, captar patrocínios, estruturar um calendário turístico articulado com a região, buscar recursos externos e, finalmente, resgatar o orgulho econômico de Taquaritinga. Mas nada disso será possível sem vontade política firme, maturidade social verdadeira e, acima de tudo, união.
Taquaritinga não merece ser apenas lembrança. Tem força, história e capacidade para voltar a ser referência. Mas essa virada exige mais do que esperança: exige coragem e compromisso. Ou a cidade acorda agora, ou continuará, ano após ano, vendo seu potencial se perder diante de seus próprios olhos.



