sexta-feira, 1 maio, 2026

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Jogando Limpo – Cristiano Ronaldo: uma besta enjaulada, um pai de família, um espelho de gerações

Por: Rodrigo Panichelli*

“Uma besta enjaulada com ódio”, narrou André Henning, em êxtase. Era o jogo de volta entre Juventos de Turin  e Atlético de Madrid, pela Champions League. Cristiano Ronaldo, instigado, provocado, acuado — reagiu como os gigantes reagem: fez três gols e levou os torcodres ao delirio. No mesmo palco , alguns anos antes, onde já havia feito um gol de  bicicleta, mais perfeito da história da competição, arrancando aplausos até de quem vestia a camisa adversária.

Mas hoje, ele tem 40 anos. E ainda assim, parece feito de outra matéria.

Cristiano é, talvez, a figura mais impressionante do futebol moderno: técnico, físico, mental. E mais que isso — disciplinado como poucos. Para muitos, ele é só um grande artilheiro. Para outros, um herói. Para mim, ele também é a imagem que meu filho Joaquim escolheu como espelho.

Na escolinha onde dou aula de futebol, cada treino é um festival de comemorações ao estilo CR7. O aquecimento já começa com o grito: “Siiiiuu!” — acompanhado de braços abertos e pulos. Os meninos repetem os gestos com um brilho nos olhos que, sinceramente, nenhuma planilha ou gráfico explica. Joaquim, meu filho, se auto-denomina “Mini Cris”. E como pai e professor, vejo ali mais que uma imitação: vejo admiração. Vejo sonho.

Cristiano Ronaldo talvez esteja perto do fim de sua carreira profissional. Ou não. O próximo feito, segundo algumas inteligências artificiais, é atingir os 1.000 gols em janeiro de 2027, com 42 anos. Pode ser. Ou pode vir antes, porque com ele, é sempre possível o impossível. Como já nos acostumamos a ver.

CR7 é mais do que números. Ele é símbolo de superação, de trabalho duro, de quem nunca se escondeu atrás do talento. E por isso, inspira. Ele representa a busca pela excelência. Não só nos gramados impecáveis da Europa, mas também nos campos de terra batida onde nossos meninos correm com alegria nos pés e esperança no peito.

Talvez nunca vejamos outro igual. E tudo bem. Porque os ídolos não são feitos para serem copiados com exatidão. Eles são feitos para serem lembrados, celebrados — e, sobretudo, multiplicados em sonhos de criança

*Rodrigo Panichelli é colaborador d’O Defensor