Alta de 6,3% nas vendas revela um consumidor mais planejado, conectado e sensível à experiência de compra
O comércio brasileiro voltou a registrar crescimento durante o período do Dia das Mães — considerada a segunda data mais importante do varejo nacional, atrás apenas do Natal. Segundo levantamento do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), houve um aumento geral de 6,3% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado. O dado sinaliza não apenas um aquecimento do consumo, mas, sobretudo, uma transformação no comportamento do consumidor e nas estratégias adotadas por empresas do setor.
O destaque foi para o e-commerce, com alta de 11,8%, evidenciando a consolidação do canal digital como pilar fundamental da nova dinâmica comercial. Já o varejo físico, longe de estar obsoleto, também apresentou desempenho positivo, crescendo 5,7%. A leitura desses números exige mais do que otimismo: requer uma análise crítica e estratégica sobre o que está, de fato, impulsionando essas movimentações.
Setores tradicionalmente associados à data, como vestuário (+6,4%), livrarias (+4,0%) e joalherias (+3,4%), lideraram os crescimentos. Paralelamente, farmácias, supermercados e segmentos de lazer também registraram alta no volume de vendas, aproveitando o apelo emocional e a disposição das famílias para celebrar com pequenos agrados ou confraternizações.
Regionalmente, a expansão foi mais acentuada no Norte (+7,6%), seguido do Sul (+6,2%) e Sudeste (+5,8%), o que demonstra que o consumo se reaqueceu de forma heterogênea, influenciado por fatores locais como empregabilidade, renda, clima e mobilidade urbana.
A análise mais profunda, no entanto, revela que o consumo neste Dia das Mães não foi impulsivo. O consumidor brasileiro mostra-se mais seletivo e consciente, planejando com maior antecedência suas compras, optando por canais digitais com ofertas personalizadas e buscando experiências de compra mais satisfatórias — seja online, seja no ponto físico.
Esse comportamento exige das marcas uma atuação cada vez mais pautada em dados, personalização e eficiência logística. A inteligência comercial — sustentada por plataformas de análise de consumo — passou a ser um ativo estratégico, tanto para entender o perfil dos clientes quanto para ajustar estoques, campanhas e canais de venda em tempo real.
Ainda que o crescimento de 6,3% represente uma retomada diante do cenário econômico nacional instável, ele também expõe uma realidade que não pode ser ignorada: a recuperação do varejo segue em ritmo moderado, e está fortemente atrelada à capacidade das empresas de se adaptarem às novas demandas e aos hábitos digitais dos consumidores.
Além disso, a forte presença do e-commerce levanta discussões sobre logística reversa, sustentabilidade nas entregas e condições de trabalho em plataformas de venda e transporte. É um crescimento que, embora positivo, exige reflexão crítica e responsabilidade de todos os agentes envolvidos.
Portanto, o Dia das Mães em 2025 vai além dos números: ele representa um momento de aprendizado para o varejo. Mostra que a economia pode reagir com solidez quando amparada por inovação, sensibilidade ao consumidor e estratégias baseadas em dados. E aponta para um futuro em que a experiência — mais do que o produto — continuará sendo o grande diferencial competitivo.



