Por: Rodrigo Panichelli*
Lá em casa, tem um prato que faz sucesso: o famoso mexidão. Arroz, feijão, farofa, carne, macarrão… tudo junto e misturado no mesmo prato. Uma explosão de sabores que meus filhos adoram — principalmente quando a mistura é acompanhada por um jogo na TV ou uma resenha de futebol na mesa. E quer saber? O futebol brasileiro é bem assim: um mexidão saboroso, bagunçado, mas irresistível.
Com o início da Série C neste fim de semana, começa a fervura. E o futebol paulista chega forte com quatro representantes: Ituano, Ponte Preta, São Bernardo e Guarani. Times tradicionais, camisas pesadas. Mas o mexidão da Série C também serve ingredientes que poucos conhecem: Retrô Futebol Clube Brasil (de Pernambuco) e Floresta Esporte Clube (do Ceará). Talvez o torcedor nunca tenha ouvido falar. Mas estão ali, com fome de bola, brigando por uma das quatro vagas de acesso à Série B. Vai ser desgastante. em diferentes cantos do país. Vai ter voo, ônibus, perrengue. Vai ter “voo rasteiro” de tanto que essa rapaziada vai rodar o Brasil.
Na Série B, o futebol do interior paulista vem forte: Novorizontino, Ferroviária e Botafogo-SP. A promessa é de um campeonato duro, decidido nos detalhes, com emoções até a última rodada. Vale lembrar do Novorizontino, que bateu na trave nos últimos dois anos, deixando escapar o acesso na última partida. Se repetir o roteiro, já pode pedir música no Fantástico!
E como o tempo voa, já estamos na terceira rodada da Série A do Brasileirão. Já caiu técnico na primeira rodada. Tem técnico na corda bamba mesmo sem perder. Esse é o puro suco do futebol brasileiro. São 38 rodadas de drama, euforia, VAR e polêmicas. E atenção: entre junho e julho, com o Super Mundial de Clubes, o Brasileirão será paralisado. Isso pode bagunçar a receita e mudar completamente o sabor do campeonato. Parece longe? Nem tanto. Daqui a pouco, estaremos falando de “primeiro turno decisivo”.
Assim é o nosso futebol: um mexidão de paixões, histórias e sabores. Uma mistura que agrada a gregos e troianos — ou pelo menos tenta. E aqui nesta coluna, toda semana, vamos experimentar mais um pouco dessa iguaria chamada futebol brasileiro. Sirva-se. A mesa está sempre posta.
“Até o próximo prato, ou melhor, até a próxima rodada. Jogando limpo, sempre.”



