segunda-feira, 25 maio, 2026

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Reconhecimento: A vida de Reinalda da Silva Brandão – uma história de dedicação à saúde de Taquaritinga

Lembranças de uma mulher que dedicou sua vida a cuidar da saúde da comunidade

No dia 30 de outubro de 2025, em uma quinta-feira chuvosa, a equipe de reportagem de O Defensor foi convidada a um encontro especial na casa de Elizabete Calil Mazzi, residente do tradicional bairro Bom Retiro, em Taquaritinga. O objetivo da reunião era resgatar e compartilhar a história de uma mulher que marcou a vida de muitos no município — Reinalda da Silva Brandão. O relato envolveu uma conversa calorosa com Bete (como é carinhosamente chamada), além de Silvia Micali, Monica Mencaroni Ferreira, Nathalia Bagliotti, José Gustavo Mazzi (filho de Bete) e Gabriel Bagliotti. A princípio, a conversa parecia descontraída, mas logo a memória de Reinalda tomou conta, e as histórias começaram a se entrelaçar com o cuidado e a compaixão que ela dedicou à saúde da população.

Reinalda da Silva Brandão, nascida em 1920, foi uma mulher autodidata, que se destacou em sua atuação como atendente de saúde em Taquaritinga. Sua história começou há mais de 70 anos, quando, ainda muito jovem, foi nomeada para trabalhar no posto de saúde local. A princípio, sua função era simples: atender o público. Contudo, Reinalda logo se destacou pela sua habilidade em áreas como tratamento ocular e aplicação de injeções, campos nos quais ela se tornou referência na cidade.

Elizabete Calil Mazzi relembra com carinho o quanto Reinalda foi importante para a saúde do bairro e da cidade, especialmente no tratamento de doenças que hoje já não são mais tão comuns, como o tracoma, uma doença ocular que, nos anos 40 e 50, causava cegueira em muitas pessoas da região. “Ela cuidava dos olhos do pessoal com tracoma. Quando o tracoma virava pálpebra, ela raspava e colocava remédio. Era uma tarefa difícil, mas ninguém sabia fazer isso como ela”, lembra Bete com saudade.

O legado de Reinalda, no entanto, não se limitava ao atendimento de saúde. Ela também era conhecida pela aplicação de vacinas e pelos curativos, especialmente em pessoas com problemas nos olhos. Sua dedicação era tanto que, mesmo após sua nomeação oficial no posto, ela continuou a atender a população local, aplicando tratamentos de saúde de forma autônoma, sem nunca ter realizado cursos formais de enfermagem. “Ela nunca fez o curso de enfermagem, mas aprendeu com os médicos, no dia a dia, na prática”, afirma Bete.

Ao longo de mais de 30 anos de dedicação, Reinalda tornou-se uma figura central na saúde pública local, sendo lembrada carinhosamente como “a tia Reinalda”. Sua casa era uma extensão do posto de saúde, com a prática da medicina tradicional combinada com a alopatia. Ela sempre teve à mão as ervas medicinais que plantava em seu próprio jardim, tratando as crianças da vizinhança com remédios caseiros e oferecendo um cuidado especial para aquelas com problemas de saúde. “Ela usava muito remédio para dor de garganta, tosse, e até para resfriado”, relata Silvia Micali.

Reinalda não só tratava das pessoas no aspecto físico, mas também tinha uma grande capacidade de acolhimento emocional. Seu sorriso fácil e sua risada contagiante eram características que a tornavam ainda mais especial aos olhos daqueles que a conheciam. Para ela, a saúde não se limitava a curar doenças, mas incluía uma boa dose de empatia e alegria, algo raro de encontrar nas atuais relações de cuidado. Monica Mencaroni Ferreira lembra da enorme generosidade de Reinalda, dizendo: “Ela sempre soube acolher as pessoas, ouvir as angústias e dar uma palavra de conforto”.

A sua trajetória na saúde de Taquaritinga não se limitava ao posto de saúde, pois, quando necessário, Reinalda também costurava pijamas e outras roupas de cama para distribuir, solidificando ainda mais seu vínculo com a comunidade. Ela foi uma das precursoras no fornecimento de enxovais para mães carentes, sempre com o propósito de ajudar aqueles que mais precisavam. Reinalda morreu em 2014, aos 94 anos, deixando uma marca eterna na saúde pública e no coração dos que tiveram o privilégio de ser atendidos por ela.

Sua história é uma verdadeira lição de vida e de generosidade, e deve ser celebrada como parte do patrimônio humano de Taquaritinga. Ao relembrar a trajetória de Reinalda da Silva Brandão, fica claro que seu legado transcende os cuidados médicos prestados. Ela é a lembrança viva de que, com dedicação, solidariedade e amor ao próximo, podemos fazer a diferença na vida das pessoas e deixar uma marca que perdura por gerações.