Taquaritinga orgulha-se, com razão, de sua terra. Nossa história foi escrita com o suor de quem desbravou os campos e consolidou o agronegócio como a viga mestra da nossa economia. A força das nossas safras é o que mantém o giro do capital e sustenta milhares de famílias. Entretanto, no alvorecer de 2026, um questionamento se faz urgente e inadiável nos corredores da gestão pública e nas mesas das associações de classe: até quando seremos reféns da monocultura da dependência agrícola?
A prosperidade de uma cidade moderna não pode caminhar sobre uma perna só. É preciso diversificar para resistir às intempéries do mercado e, principalmente, para oferecer um futuro digno às próximas gerações. O que assistimos hoje é um fenômeno silencioso e doloroso: a “fuga de cérebros”. Nossos jovens, talentos lapidados em nossas escolas e universidades, buscam grandes centros em busca de oportunidades que Taquaritinga, hoje, ainda não consegue oferecer. Exportamos inteligência e importamos produtos manufaturados. É uma conta que, a longo prazo, não fecha.
O fortalecimento do nosso Distrito Industrial não pode ser apenas uma promessa de palanque ou uma linha em um plano de governo engavetado. Precisa ser uma realidade pulsante, com infraestrutura de qualidade, logística eficiente e, acima de tudo, um ambiente jurídico e tributário que atraia o investidor. Precisamos de indústrias que agreguem valor à nossa produção primária, transformando a matéria-prima que sai do campo em produtos acabados aqui mesmo, gerando empregos qualificados e renda dentro dos nossos limites geográficos.
Mais do que a indústria pesada, o mundo atual exige um olhar atento ao empreendedorismo tecnológico. Onde estão os incentivos para as startups locais? Por que ainda não transformamos nossa vocação educacional em um polo de inovação digital? A tecnologia não ocupa grandes espaços físicos, mas ocupa mentes e gera riqueza de alto valor agregado. Fomentar esse setor é garantir que o jovem taquaritinguense possa empreender e prosperar sem precisar fazer as malas.
Paralelamente, o comércio local — o maior empregador da nossa cidade — necessita de políticas de revitalização que vão além do período natalino. É preciso modernizar nossos centros comerciais, investir em segurança, iluminação e acessibilidade, tornando o ato de comprar em Taquaritinga uma experiência superior à conveniência impessoal do ambiente digital ou das cidades vizinhas.
O Defensor entende que o agronegócio continuará sendo nosso porto seguro, mas não pode ser nosso único destino. Cobrar políticas públicas de incentivo industrial e tecnológico é, antes de tudo, um ato de defesa do futuro de Taquaritinga. O poder público tem o dever de ser o facilitador desse processo, desburocratizando e criando pontes entre o conhecimento acadêmico e o mercado de trabalho.
A cidade que queremos para os próximos vinte anos começa a ser desenhada agora. Se desejamos manter nossos filhos aqui, precisamos oferecer-lhes um horizonte que vá além do verde dos laranjais e canaviais. É hora de plantar inovação para colher desenvolvimento real e sustentável.



