Com benefícios que vão da infância à vida adulta, o aleitamento materno segue como desafio e prioridade para a saúde pública brasileira
O mês de agosto é marcado pelo Agosto Dourado, campanha mundial de conscientização sobre a importância do aleitamento materno. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 45% das crianças menores de seis meses são amamentadas de forma exclusiva, índice ainda distante da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda amamentação exclusiva até os seis meses de vida e complementada até dois anos ou mais. A prática, embora fundamental para a saúde infantil, também traz benefícios comprovados para a mulher, reduzindo riscos de doenças e fortalecendo o vínculo materno.
Estudos divulgados pela OMS e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) demonstram que o aleitamento materno é responsável por prevenir a morte de aproximadamente 823 mil crianças por ano em todo o mundo, além de evitar 20 mil óbitos anuais por câncer de mama em mulheres. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a amamentação pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil em menores de cinco anos, sendo considerada a intervenção isolada mais eficaz para a sobrevivência e o desenvolvimento saudável.
Os benefícios não se limitam à infância. Crianças amamentadas apresentam melhor desempenho cognitivo, menor risco de obesidade e de doenças crônicas na vida adulta. Para a mulher, a amamentação contribui na redução de hemorragias pós-parto, auxilia na recuperação uterina e diminui as chances de desenvolver câncer de ovário, mama e diabetes tipo 2, conforme aponta a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).
O Brasil avançou nos últimos anos em políticas públicas de incentivo à amamentação. Programas como a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, o fortalecimento do Banco de Leite Humano e a ampliação da licença-maternidade de seis meses em algumas instituições públicas e privadas têm sido fundamentais. Atualmente, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, coordenada pela Fiocruz, é considerada a maior do mundo, com mais de 230 unidades distribuídas em todos os estados. Em 2023, essa rede coletou e distribuiu leite humano a mais de 220 mil recém-nascidos, salvando vidas e reduzindo internações em unidades neonatais.
Ainda assim, persistem desafios. A volta precoce da mulher ao mercado de trabalho, a falta de espaços adequados para amamentação em empresas e o estigma social em torno da prática em locais públicos são barreiras que dificultam a continuidade do aleitamento. De acordo com o IBGE, mais de 40% das mães interrompem a amamentação antes do sexto mês por dificuldades relacionadas à rotina e ausência de apoio.
O Agosto Dourado reforça que amamentar não é apenas um ato individual, mas um direito social que exige rede de apoio, políticas públicas e conscientização coletiva. Ao investir na proteção e na promoção do aleitamento materno, o país não apenas melhora os indicadores de saúde, mas também fortalece o futuro de gerações inteiras. A cor dourada escolhida para simbolizar a campanha traduz o que a prática representa: um alimento de valor inestimável, insubstituível e vital.



