Por: Rodrigo Panichelli*
Não, não é exagero. Também não é viralatismo.
O jogo entre Flamengo e PSG pela Copa Intercontinental vale sim como Mundial de Clubes. Vale porque coloca frente a frente quem realmente manda na bola hoje: o campeão da América contra o campeão da Europa. O resto é discurso conveniente para quem perdeu ou nunca chegou.
O PSG é campeão do mundo. Se fosse o Flamengo, também seria. Simples assim.
O que se viu em campo foi um retrato honesto do futebol atual. O Flamengo competiu, lutou, teve organização, intensidade e coragem. Mas não conseguiu esconder uma realidade incômoda: ainda não fazemos frente aos europeus quando a decisão vira detalhe, frieza e execução.
O jogo terminou empatado. E pênalti não é loteria. Pênalti é concentração, preparo emocional e, quase sempre, goleiro. E foi aí que apareceu o personagem que ninguém previa: um goleiro russo — a ironia não passa despercebida — que defendeu quatro cobranças. Quatro.
Desses que entram para a história sem pedir licença, como Mineiro em 2005 ou Adriano Gabiru em 2006. Só que, desta vez, o herói vestia azul e vermelho… do outro lado.
E antes que venha o discurso pronto: não, não é menosprezo ao Flamengo. Pelo contrário. Há, sim, uma ponta de inveja esportiva — saudável — porque poucos clubes brasileiros hoje teriam estrutura, elenco, ideia de jogo e competitividade para chegar onde o Flamengo chegou. O problema é achar que isso basta.
Não basta.
O PSG venceu porque foi mais eficiente no momento decisivo. Porque tratou o jogo como final de Copa do Mundo, não como espetáculo global para marketing. Futebol não se ganha só com orçamento, mas se perde quando o detalhe não é levado a sério.
O Intercontinental segue sendo, para quem gosta de futebol e não de narrativa, o verdadeiro Mundial anual. O novo formato pode vir, os discursos podem mudar, mas enquanto for Europa contra América, em jogo único, sob pressão máxima, é ali que se mede grandeza.
O Flamengo sai derrotado no placar, não na história.
O PSG sai campeão do mundo. E negar isso diz mais sobre quem fala do que sobre o jogo.
No futebol, a verdade dói.
E às vezes vem de luvas.
* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.
**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.



