Medida vale para áreas urbanas e rurais e determina eliminação da planta, considerada hospedeira de praga que ameaça a produção de citros
A Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade de Taquaritinga, em parceria com a Defesa Agropecuária e a CATI, reforçou nesta semana a proibição da produção, comércio, transporte, plantio e manutenção de plantas de murta em todo o território paulista. A determinação passou a valer oficialmente em 15 de maio de 2025, conforme estabelece a Resolução SAA 24, e atinge tanto áreas urbanas quanto rurais.
A medida foi adotada como estratégia para conter o avanço do HLB/Greening, doença considerada atualmente a mais destrutiva da citricultura mundial. Segundo os órgãos responsáveis, a murta, conhecida cientificamente como Murraya paniculata, é uma das principais hospedeiras do inseto Diaphorina citri, vetor transmissor da bactéria Candidatus Liberibacter spp., responsável pela doença.
De acordo com a regulamentação, fica proibida em todo o estado a produção de mudas, comercialização, transporte, utilização de hastes e até mesmo a manutenção da planta em imóveis públicos e privados. A única exceção prevista é para exemplares destinados à pesquisa científica, desde que devidamente cadastrados junto à Defesa Agropecuária.
Além disso, as plantas já existentes deverão ser eliminadas pelos proprietários. Em situações específicas de transporte interestadual, a murta só poderá ser transportada em veículo fechado, acompanhada de documento fiscal e da Permissão de Trânsito de Vegetais (PTV). A participação da planta em feiras, exposições e eventos também dependerá de autorização prévia da Defesa Agropecuária.
A preocupação das autoridades ocorre porque a murta é amplamente utilizada em projetos de paisagismo urbano e ornamental. No entanto, por não receber os mesmos tratamentos fitossanitários aplicados às lavouras comerciais de citros, a planta acaba funcionando como abrigo e fonte alternativa de disseminação do inseto transmissor do greening.
Especialistas apontam que o HLB/Greening provoca sérios prejuízos econômicos ao setor citrícola, reduzindo a produtividade, comprometendo a qualidade dos frutos e levando à morte precoce das plantas. O Estado de São Paulo concentra uma das maiores produções de laranja do mundo, o que torna o controle sanitário ainda mais estratégico para a economia agrícola paulista.
A Defesa Agropecuária destaca que a colaboração da população será fundamental para o sucesso da medida. Proprietários de imóveis, produtores rurais, comerciantes e paisagistas devem estar atentos às novas regras para evitar infrações e contribuir com o controle da doença.
A orientação é que dúvidas sobre identificação, eliminação ou transporte da murta sejam encaminhadas aos escritórios regionais da Defesa Agropecuária ou da CATI. O objetivo, segundo os órgãos envolvidos, é ampliar a conscientização e fortalecer as ações preventivas para preservar a citricultura paulista diante do avanço do greening.



