quinta-feira, 18 junho, 2026

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Crônica: Eterno aprendiz

Por: Sérgio A. Sant’Anna*

Na semana passada conversando com um escritor aqui de Porto Alegre, dono de livros consagrados pelo universo infantojuvenil, afirmara-me o habilidoso com as palavras, que do caos, dos problemas os melhores textos nascem, as inesquecíveis árvores expõem seus frutos. Sabia que eram apenas os livros que me diziam isso, a história da literatura quem me contou tais feitos, porém agora um escritor, de carne e osso, dissera-me.

Certa vez, ainda em Taquaritinga, cidade em que nasci e cresci, fui até Ribeirão Preto para uma Feira do Livro, juntamente com vários alunos do Colégio Objetivo, e numa das palestras assisti ao jovem e consagrado escritor brasileiro, Fabricio Corsaleti, narrar o seu processo de criação, num bate-papo descontraído com o público. Afirmara o poeta: “há que se ter rotina quando almejamos ser escritores”. Ele concluiu relatando que acordava muito cedo todos os dias e se dispunha a escrever. Era nesse momento que sua mente levitava, os melhores textos surgiam no horário escolhido.

Em duas palestras do historiador e filósofo, professor Leandro Karnal, o mesmo dissera: “o conhecimento só é obtido pela leitura e a escrita é decorrente desse esforço cognitivo”. Para isso, ele habituou-se a acordar às 04h da manhã e começar a ler, depois escrever, às sete começava a se arrumar para ministrar suas aulas.

Nesses vinte anos dedicados ao Magistério, especificamente às aulas de Redação e Gramática, tive o prazer de atracar-me com os livros, um belo e prazeroso encontro, frutífero, capaz de debruçar-me sobre suas páginas e deliciar-me até chegar ao gozo com o clímax da obra. Parece doentio, todavia se trata de um caso de amor e cumplicidade. É deles, os livros, que me farto para depois despejar e contribuir para que meus alunos e leitores possam também usufruir daquilo que a vida fez com que eu realmente aprendesse, embora falte-me ainda muito… e, consequentemente, a escrita é um exercício cotidiano, sistemático, que exige esforço e dedicação, mas sem a leitura periódica não há combustível que possa fazer a máquina cerebral funcionar e produzir um bom texto; estes que levam, você leitor, a parar e refletir, pensar, interessar-se pelo que cito, pelas obras que leio, pelos jornais que aprecio, pelos escritores que valorizo e pela vida, ainda não escrita por mim, porém que há um Ser sabedor desses já traçados escritos e que me compreende. Ele já escreveu; eu, eterno aprendiz escrevente.

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.