sábado, 30 maio, 2026

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Coluna Clikando – RotaKids de Taquaritinga

11 anos formando cidadãos desde a infância

Por: Gabriel Bagliotti*

Na última quarta-feira, 17 de setembro, o Rotary Club de Taquaritinga celebrou mais que uma data simbólica: comemorou os 11 anos de existência do RotaKids, um projeto que há mais de uma década vem cultivando valores fundamentais em crianças e adolescentes da cidade. Mais do que um espaço de convivência, o RotaKids se consolidou como uma verdadeira escola de cidadania, onde se aprende desde cedo que solidariedade, respeito e companheirismo não são apenas conceitos abstratos, mas práticas diárias capazes de transformar realidades.

Ao longo desses 11 anos, incontáveis crianças passaram pelo grupo, deixando suas marcas e levando consigo aprendizados que dificilmente se encontram nos livros escolares. A filosofia é simples, mas poderosa: formar líderes, não apenas para o futuro, mas para o presente. Cada reunião, cada campanha solidária, cada gesto de empatia ensina que servir ao próximo é um dos caminhos mais nobres para construir uma sociedade justa.

Em tempos de individualismo crescente, onde as telas parecem ocupar o lugar das relações humanas, o RotaKids surge como contraponto saudável. Ali, as crianças descobrem que brincar, aprender e ajudar podem caminhar juntos. Descobrem, sobretudo, que amizade e solidariedade são forças transformadoras. O grupo não apenas orienta; ele dá voz. Meninos e meninas aprendem a se expressar, a ouvir, a respeitar opiniões divergentes e a entender que decisões coletivas demandam diálogo.

Um exemplo pessoal ilustra bem esse papel transformador. O meu pequeno/grande Joaquim Sabbatini Bagliotti, com apenas cinco anos, encontrou no RotaKids um espaço de desenvolvimento que vai além da infância tradicional. Saber pedir a palavra, usar o microfone e participar ativamente de uma reunião pode parecer simples, mas na prática significa dar às crianças o protagonismo que muitas vezes lhes é negado. Esse tipo de experiência molda não apenas habilidades de comunicação, mas também fortalece a autoconfiança e o senso de pertencimento.

Essa vivência é um reflexo direto da filosofia rotariana, que entende a educação como processo contínuo e comunitário. E aqui cabe um ponto crítico: em um país onde o déficit educacional ainda é enorme e onde a cidadania muitas vezes só é discutida em momentos de crise política, projetos como o RotaKids assumem papel ainda mais relevante. Eles lembram que formar cidadãos conscientes não é tarefa exclusiva da escola, mas um dever compartilhado entre famílias, sociedade civil e instituições comprometidas com o bem comum.

O aniversário de 11 anos do RotaKids, portanto, não deve ser lido apenas como um marco cronológico. É, sobretudo, uma oportunidade para refletirmos sobre o quanto iniciativas como essa contribuem para a transformação silenciosa da sociedade. Uma transformação que não aparece nas manchetes diárias, mas que se materializa no comportamento de jovens que crescem com consciência social, espírito de liderança e respeito ao próximo.

O desafio daqui para frente é garantir que essa chama continue acesa. Que o RotaKids de Taquaritinga siga sendo espaço de acolhimento, aprendizado e cidadania. Que novos projetos, campanhas e ações comunitárias surjam para ampliar ainda mais seu impacto. E que mais famílias entendam que participar de iniciativas assim não é apenas um complemento à educação formal, mas uma base sólida para a vida em sociedade.

Ao celebrarmos esses 11 anos, fica claro que o RotaKids é mais do que um braço do Rotary: é um laboratório de vida. Nele, nossos filhos aprendem desde cedo a olhar o outro com empatia, a valorizar a coletividade e a acreditar que pequenas ações podem gerar grandes mudanças. E é nesse aprendizado que reside a esperança de um futuro melhor, construído não por líderes autoritários ou promessas vazias, mas por cidadãos conscientes, formados desde cedo em valores humanos que não envelhecem.

Parabéns, RotaKids de Taquaritinga! Que os próximos anos sejam de ainda mais histórias de união, serviço e amizade — porque é no exemplo das crianças que muitas vezes encontramos o verdadeiro sentido da palavra cidadania.

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.