Por: Lucas Fanelli*
Olá queridos leitores, espero que vocês estejam bem! Vamos conversar sobre literatura nacional? Mais precisamente sobre literatura de terror nacional. Depois que conheci esse universo do terror e suspense, passei a gostar cada vez mais. Apesar das ótimas leituras que realizei, minhas primeiras leituras desse gênero foram livros vindos de fora, como Stephen King, então as referências dos livros eram do país de origem.
Se aquelas leituras que falavam sobre uma cidade que eu não conhecia, de um país que eu nunca visitei, com ruas que estava conhecendo naquele momento, como seria ler um livro que se passava no país que eu resido? Ainda bem que temos como patrimônio nosso querido Raphael Montes. O primeiro livro que li desse maravilhoso escritor foi “Jantar Secreto” e farei desse livro a indicação dessa semana.
Jantar Secreto é antes de mais nada o livro mais fluído que já li, a leitura ocorre de forma natural e sem tropeços, não tem parte fria e muito menos morna, todas as páginas pegam fogo em uma corrida vertiginosa para saber o que vai acontecer no final.
Importante também deixar explícito que Raphael Monte se consagrou por seus “plots twisters” (ou de forma abrasileirada: suas reviravoltas) que acontecem no final dos seus romances. Não é uma informação jogada ali apenas para chocar o leitor, é uma construção que se você fizer uma leitura atenta conseguirá sacar, mas precisa ser bem atento pois durante a leitura é tanta informação e cenas detalhadas que os ganchos para a reviravolta acabam passando despercebido e só no final quando a última cena acontece você se pega pensando “estava na minha cara o tempo todo!”.
Sobre as referências, preciso informar que todo o livro se passa na cidade do Rio de Janeiro, uma cidade brasileira que estamos todos minimamente familiarizados, seja por ter ido visitar, ter assistido uma novela da globo ou ao menos ter ouvido falar da “cidade maravilhosa”. Fora as outras referências que como bons brasileiros nos fazem sentir um gostinho de orgulho nacional (mesmo que o livro faça mais você sentir angústia e nojo pela temática).
Logo no início do livro tem uma charada muito legal que dá para brincar em um encontro com os amigos que não leram e deixar eles pensando por um bom tempo até desvendar o mistério, você comeria carne de gaivota? Esse é o pontapé inicial para toda a trama do livro e a expressão carne de gaivota se repete durante todo o enredo.
Por último, mas não menos importante, Raphael consegue colocar no livro uma crítica social importantíssima sobre o limite que ricos podem ultrapassar apenas por divertimento próprio e como oportunidades imorais não passam despercebidas para o acúmulo de capital. A pergunta que fica no final do livro é: todo mundo tem um preço, qual é o seu?



