Por: Luís José Bassoli*
O termo geoeconomia se refere ao estudo das atividades econômicas nas relações internacionais, a economia como ferramenta para atingir objetivos político-estratégicos, seja impondo sanções ou criando laços diplomáticos.
O tarifaço de Trump é exemplo do uso da economia com fins geopolíticos. O governo brasileiro se prepara para minimizar o impacto no mercado interno, sem retaliações. É consenso que se deve tentar a abertura de negociações para evitar consequências mais graves.
A socióloga taquaritinguense, da Unesp, Leia Colombo, afirma que o Brasil tem tradição em buscar soluções diplomáticas para crises internacionais, com base no diálogo e no Direito Internacional.
“A paz entre as nações e os acordos comerciais são algumas das peças fundamentais para que os povos se sintam em um ambiente internacional seguro, além de propiciar o livre trânsito. A cooperação fortalece as relações e ajudam a resolver os conflitos”, disse Leia.
Nesta quarta-feira (23/7), um grupo de senadores se reuniu com o chanceler Mauro Vieira e com a embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, na sede do ministério das Relações Exteriores, para planejar uma viagem aos EUA, com a missão de conversar, sem “negociações formais”, com empresários e congressistas americanos.
O grupo conta com defensores do agronegócio, governistas e da oposição: Nelsinho Trad (PSD/MS) presidente do grupo; Tereza Cristina (PP/MS); Astronauta Marcos Pontes (PL/SP); Jaques Wagner (PT/BA); Esperidião Amin (PP/SC); Rogério Carvalho (PT/SE); Fernando Farias (MDB/AL); e Carlos Viana (Podemos/MG).
A Comitiva tem apoio do presidente Lula e do vice-presidente Alckmin, que comanda o Comitê de Negociações do Governo Federal. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelson Otrade (PSD/MS), defende que o tema seja tratado “com equilíbrio”.
O tarifaço pode afetar as vendas de café, suco de laranja, carne, frutas e até de aviões.
Formado em Economia pela Unesp, o taquaritinguense Raphael Gibertoni também concorda que a busca do diálogo é o primeiro passo para se combater a tarifa.
“Este é um momento que exige serenidade e discernimento: as tarifas impostas por Trump devem ser analisadas sob uma perspectiva estritamente econômica, livre de paixões ou motivações políticas. Somente por meio da diplomacia e do bom senso será possível evitar prejuízos mútuos e preservar os interesses de ambos os países”, concluiu Raphael.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou que continuará negociando, mas não descartou usar a Lei de Reciprocidade. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, disse que as tarifas podem gerar um efeito positivo “momentâneo” para o consumidor, na queda da inflação, mas tendem a desestimular os produtores — o que é prejudicial.
A tarifa de 50% sobre importações brasileiras está prevista para entrar em vigor em 1.⁰ de agosto.



