quinta-feira, 16 abril, 2026

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Agro: Brasil e México estreitam laços em agropecuária, biocombustíveis e comércio bilateral

Parcerias em segurança alimentar, transição energética e inovação fortalecem a integração entre as duas maiores economias latino-americanas

Em visita oficial à Cidade do México, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, liderou uma comitiva de mais de cem empresários e autoridades brasileiras com o objetivo de ampliar a cooperação política e econômica entre Brasil e México. A agenda, realizada entre os dias 27 e 28 de agosto, resultou na assinatura de memorandos de entendimento em setores estratégicos como agropecuária, biocombustíveis, rastreabilidade de carnes e promoção de investimentos, consolidando um novo marco na relação bilateral entre as duas maiores economias da América Latina.

Cooperação agrícola e soberania alimentar

Um dos pontos centrais da missão foi a assinatura de um memorando de cooperação entre o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México. O acordo prevê intercâmbio técnico em áreas de produção agrícola e pecuária, com atenção especial à sanidade animal e vegetal, financiamento, seguro rural e apoio a pequenos e médios produtores.

O documento estabelece ainda a criação de um grupo de trabalho para identificar áreas de interesse comum e implementar planos de ação, incluindo a adequação das legislações referentes à rastreabilidade da carne bovina. Tal medida busca assegurar padrões de qualidade e segurança sem comprometer a competitividade das exportações brasileiras destinadas ao mercado mexicano.

Com a agricultura representando cerca de 23% do PIB mexicano e 27% do PIB brasileiro quando considerada toda a cadeia do agronegócio, a integração técnica promete ganhos de escala, inovação e fortalecimento da segurança alimentar em ambos os países.

Alckmin durante encontro com empresários no México. Foto: Nurivan Mendoza Memije/ MDIC

Biocombustíveis e transição energética

Outro eixo estratégico da visita foi o setor de biocombustíveis. O Brasil, reconhecido mundialmente pela tecnologia na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, firmou entendimento para apoiar o México na expansão desse segmento. A cooperação contempla transferência de tecnologia, intercâmbio de metodologias, fornecimento de equipamentos e apoio à implementação de combustíveis sustentáveis, incluindo etanol, SAF (combustível sustentável de aviação) e combustíveis marítimos de baixo carbono.

A medida reforça o compromisso dos dois países com a agenda climática e a transição energética, ao mesmo tempo em que abre espaço para investimentos privados em inovação e infraestrutura logística. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, o Brasil é responsável por cerca de 30 bilhões de litros de etanol por ano, o que o torna referência mundial no setor.

Comércio e investimentos bilaterais

No campo econômico, a ApexBrasil e a Secretaria de Economia do México assinaram memorando para incentivar o intercâmbio de bens, serviços e investimentos. O objetivo é potencializar a entrada em novos mercados, fomentar cadeias produtivas integradas e ampliar a competitividade das empresas.

Em 2024, a corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 13,6 bilhões. O Brasil exportou US$ 7,8 bilhões, com destaque para veículos de passeio, carnes de aves e caminhões, enquanto importou US$ 5,8 bilhões, sobretudo em autopeças e veículos. A expectativa é que os novos acordos ampliem o fluxo comercial e reduzam barreiras não tarifárias.

Integração estratégica

A comitiva brasileira contou ainda com a participação de ministros, dirigentes de agências reguladoras, representantes de institutos de pesquisa e empresários da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A presença de setores variados demonstra o caráter transversal da parceria, que envolve desde saúde pública até tecnologia e inovação.

A audiência entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum simbolizou o reforço político do diálogo, pautado em temas de interesse mútuo: transição energética, soberania alimentar e fortalecimento das relações comerciais regionais.

Os acordos firmados no México evidenciam a busca do Brasil por consolidar sua liderança regional a partir da diplomacia econômica e da cooperação técnica. Ao alinhar interesses em agropecuária, biocombustíveis e comércio, as duas maiores economias latino-americanas sinalizam ao mundo o potencial de integração produtiva e sustentável da região. Mais do que ampliar cifras comerciais, a missão aponta para uma estratégia conjunta de desenvolvimento, capaz de equilibrar inovação, inclusão social e compromisso ambiental.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, durante uma das agendas com representantes do governo mexicano com foco no comércio exterior. Foto: Nurivan Mendoza Memije/ MDIC