Por: Nadia Araujo*
Eu sei, eu estou triste e você também. Mas será que essa tristeza não é a consequência direta de carregarmos uma arrogância gritada aos 4 cantos? Vivemos presos à glória das cinco estrelas, à ideia de que somos “o país do futebol”, enquanto a realidade nos entrega uma seleção, no máximo, mediana. Será que a nossa dor não vem justamente do fato de estarmos no auge da nossa própria prepotência?
Falo por mim mesma. Eu pensei: “Não é possível que vamos perder para a Noruega”. Aparentemente, é muito possível.
O problema de viver de glórias passadas é que o peso da coroa acaba nos impedindo de enxergar o campo. Quando a expectativa é sempre o topo, qualquer degrau abaixo parece um abismo. Mas a vida acontece nos degraus. Enquanto sofremos por não sermos mais “a temida seleção brasileira”, seleções como a de Cabo Verde encantam o mundo. Eles não têm o peso da história nas costas, apenas a leveza de quem sabe que cada minuto em campo é uma oportunidade.
Baixar a bola não é um ato de derrota, é um ato de lucidez. É entender que o prestígio de ontem não ganha o jogo de hoje. Talvez, se aceitarmos que agora somos medianos, possamos finalmente redescobrir a alegria de jogar sem a obrigação de sermos perfeitos. No fim das contas, é muito melhor ser a surpresa de quem está começando do que a decepção de quem se recusa a mudar.



