Ação reforça luta permanente pela proteção das crianças
Por: Gabriel Bagliotti*
Há duas semanas escrevi sobre a importância do evento “Faça Bonito”, iniciativa voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes em Taquaritinga. Naquele momento, a ação aconteceria no dia 16 de maio, mas acabou sendo cancelada por conta do mau tempo e das baixas temperaturas. Confesso que fiquei preocupado com a possibilidade de um tema tão importante perder força diante de um imprevisto climático. Felizmente, a mobilização foi mantida e o evento acontecerá neste sábado, hoje, 30 de maio, às 9h30, na Rua Vicente Troiano, 355, no Jardim Maria Luiza I.
E sinceramente, acredito que essa retomada possui um simbolismo ainda maior. Porque proteger crianças nunca pode ser uma pauta adiada ou esquecida. O frio passou, a chuva foi embora, mas a necessidade de conscientização continua urgente. Talvez até mais urgente do que antes.
Vivemos em uma sociedade que muitas vezes prefere silenciar diante de situações dolorosas. O abuso infantil ainda é um tema cercado por medo, vergonha e omissão. Em muitos casos, o agressor está dentro da própria casa, convivendo diariamente com a vítima. Isso torna tudo ainda mais cruel e complexo. Por isso vejo campanhas como o “Faça Bonito” como fundamentais não apenas para informar, mas para romper esse silêncio que destrói vidas.
O evento, promovido pela Comissão da Infância e Juventude da OAB de Taquaritinga em parceria com o Projeto De Mãos Dadas, mostra que a comunidade precisa estar unida na defesa da infância. Não se trata apenas de uma ação simbólica de calendário. Trata-se de responsabilidade coletiva.
Quando uma cidade abre espaço para debater esse assunto de forma pública, acessível e familiar, ela envia uma mensagem importante: nossas crianças não estão sozinhas. E isso faz diferença.
Outro ponto que considero extremamente positivo é o formato escolhido para a atividade. Além da conscientização, haverá pipoca, algodão-doce e refrigerante, criando um ambiente acolhedor para as famílias. Alguns podem enxergar isso apenas como detalhe, mas eu vejo como estratégia inteligente. Aproximar crianças, pais e responsáveis de um tema tão delicado exige sensibilidade. É preciso criar espaços de confiança e diálogo.
Também considero importante destacar o papel das campanhas educativas no processo de prevenção. Muitas vezes imaginamos que violência infantil acontece apenas em grandes centros urbanos ou em realidades distantes da nossa. Isso é um erro grave. Casos de abuso e exploração infelizmente estão presentes em todas as cidades, inclusive nas menores. Ignorar essa realidade não protege ninguém. Pelo contrário, fortalece os agressores.
Por isso, informação salva vidas. Uma criança orientada consegue identificar comportamentos inadequados. Um adulto consciente aprende a perceber sinais de violência. Uma comunidade mobilizada cria redes de proteção mais eficientes.
Vejo ainda um mérito enorme na persistência dos organizadores, Dr. Karina Andregueto Ariolli e Dr. Andreia Junqueira. Mesmo após o cancelamento inicial, elas não desistiram da iniciativa. Remarcaram o evento, reorganizaram tudo e mantiveram viva a proposta de conscientização. Isso demonstra comprometimento genuíno com a causa.
Neste sábado, mais do que comparecer a um evento, acredito que a população terá a oportunidade de assumir um compromisso moral com a proteção da infância. Porque combater o abuso sexual infantil não é obrigação apenas das autoridades, da polícia ou da Justiça. É dever de todos nós.
Que o “Faça Bonito” não seja apenas uma campanha de maio, mas um lembrete permanente de que toda criança merece crescer cercada de cuidado, respeito e segurança. E que o silêncio jamais seja mais forte do que a coragem de proteger.



