quinta-feira, 30 abril, 2026

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Jogando Limpo – Constrangimento em nome do atraso

O Brasil conseguiu de novo.  É o pais da piada pronta e ponto final!

Por: Rodrigo Panichelli*

Em um evento que deveria celebrar o futebol e promover o intercâmbio de ideias, o 2º Fórum Brasileiro de Treinadores acabou virando palco de mais um espetáculo de constrangimento e retrocesso. Tudo isso diante de Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos da história do futebol mundial — cinco vezes campeão da Champions League, multicampeão em quatro países diferentes e, hoje, treinador da seleção brasileira.

Enquanto o italiano falava sobre respeito, aprendizado e evolução, dois veteranos da velha guarda — Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira — acharam que era o momento perfeito para demonstrar o pior da mentalidade que ainda sabota o futebol brasileiro. Leão disse que “nunca gostou de estrangeiros no Brasil”. Oswaldo completou, com ironia, que “quando Ancelotti for embora campeão, que venha um brasileiro”. O problema não foi opinião. Foi o momento e o tom — porque aquilo não foi debate técnico, foi grosseria gratuita.

Ancelotti, com a elegância de quem tem 40 títulos na carreira e sabe que não precisa provar nada, apenas sorriu. Mas o desconforto foi visível. A cena se espalhou pelas redes, e até a Federação Brasileira de Treinadores emitiu nota de repúdio, chamando o episódio de “vexame”. Vexame mesmo — e dos grandes.

O pior é que Leão e Oswaldo não são exceções: representam uma mentalidade que ainda acredita que o mundo gira em torno do nosso umbigo. O futebol evoluiu, os métodos mudaram, a preparação é outra. Mas parte dos técnicos brasileiros segue presa à nostalgia dos anos 90, como se o fato de já terem trabalhado em grandes clubes os tornasse donos da verdade.

A verdade é uma só: o Brasil parou no tempo. Ficou olhando o retrovisor enquanto o resto do mundo acelerou. E quando finalmente tenta aprender com alguém que está à frente — como Ancelotti — ainda o constrange em público. É o retrato perfeito do que explica porque somos, há mais de  20 anos, coadjuvantes no futebol mundial.

O constrangimento com Ancelotti não foi só dele. Foi nosso. De todo um país que, em vez de aprender, ainda prefere se apegar ao ego.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.