Por: Raphael Anselmo* e Gustavo Girotto**
Nesta semana, o Brasil viu com clareza quem realmente defende os interesses do povo e quem atua em nome de interesses próprios, travestidos de patriotismo. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevava a voz do Brasil no cenário internacional, alguns senadores se dedicavam a atrasar conquistas sociais e a proteger privilégios políticos.
Na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula fez um discurso histórico, aplaudido por líderes de todo o mundo. Falou com firmeza sobre a importância da soberania nacional, denunciou interferências externas e defendeu a democracia brasileira com coragem. Ao afirmar que “não há pacificação com impunidade”, deixou claro que o Brasil não aceitará retrocessos nem tentativas de golpe. Sua fala foi um verdadeiro ato de patriotismo — não aquele que se veste de verde e amarelo para atacar instituições, mas o que defende o povo, a justiça e a dignidade nacional.
Enquanto isso, no Senado, o senador Izalci Lucas (PL-DF) protagonizou um movimento lamentável ao pedir vista de um projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda. A proposta beneficiaria milhões de brasileiros que ganham até R$ 4.990 por mês, aliviando o peso fiscal sobre os trabalhadores. Mas Izalci preferiu atrasar a votação, alegando falta de tempo para análise — uma desculpa frágil diante da urgência social. Sua atitude revela um descompromisso com a população e uma tentativa clara de obstruir avanços que incomodam setores privilegiados.
Não bastasse isso, o senador Sérgio Moro tentou salvar a chamada “PEC da Bandidagem” — uma proposta que busca blindar parlamentares contra investigações. Com uma emenda que tenta suavizar o texto, Moro propôs que apenas crimes contra a honra ou baseados em opinião exigissem autorização do Congresso para serem investigados. Mas a essência da proposta permanece: dificultar o combate à corrupção e proteger políticos suspeitos. É irônico que alguém que construiu sua imagem como símbolo da luta anticorrupção agora se dedique a enfraquecer os mecanismos de responsabilização.
Esses episódios mostram que o verdadeiro patriotismo não está em discursos inflamados ou em gestos simbólicos. Está na defesa concreta dos direitos do povo, na promoção da justiça social e na proteção da democracia. Lula fez isso na ONU. Izalci e Moro, infelizmente, caminharam na direção oposta.
Taquaritinga também precisa aprender com a macro política: pode simpatizar com Tarcísio de Freitas, mas deve negociar com Lula se quiser sair do atraso do conservadorismo e, assim como Matão, caminhar em direção ao futuro. Evoluir é sair de reuniões em mansões da Laranjeiras, cujo interesse é manter as eternas capitanias hereditárias, e entender de fato os desafios da periferia.
E se até Donald Trump, mestre das frases cortantes e pouco dado a afagos diplomáticos, declarou: “Eu gostei do Lula e ele gostou de mim, a química foi excelente”, talvez esteja na hora de alguns “patriotas de ocasião” aceitarem a realidade. Porque, convenhamos: se até Trump enxergou em Lula uma liderança capaz de dialogar de igual para igual no cenário internacional, quem insiste em tratá-lo como inimigo interno está, no mínimo, atrasado.
No fim das contas, os verdadeiros patriotas não são os que pintam o rosto de verde e amarelo para defender privilégios, mas os que conseguem enxergar que o futuro do Brasil passa por soberania, justiça social e democracia. E nisso, gostem ou não, Lula segue sendo a referência.
Trump pode até ter armado a velha ratoeira para atrair Lula, mas o aceno revelou uma verdade inconveniente: Bolsonaro, no grande palco da política, não passa de figurante. Para quem sabe que a diplomacia se faz com quem segura a caneta — e não com quem pede para autografar —, o recado foi claro.
O presidente dos Estados Unidos sabe jogar o jogo, e sua piscadela a Lula mostrou que, quando o assunto é poder, quem realmente importa é quem tem a chave do cofre. Bolsonaro, nesse contexto, é apenas eco distante de um passado recente, insistindo em se apresentar como protagonista, mas tratado pelos verdadeiros atores como plateia que vale pouco — ou quase nada.



