terça-feira, 26 maio, 2026

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Crônica: Semeador de livros

Por: Sérgio Sant’Anna*

Conheci-o há quase duas décadas. Era um verdadeiro semeador de conhecimento pela capital gaúcha. Sim, ele vendia livros. Numa das inúmeras praças portoalegrenses. Porém, não se restringia apenas ao local aclamado por Castro Alves e Caetano Veloso em suas composições, o professor de História viajava pelos belos caminhos da Capital dos gaúchos. Frequentava o Palácio Piratini, visitava deputados pela Assembleia. Parava ali no Palácio da Justiça. Reunia-se com alguns atores e diretores no teatro São Pedro. Gostava do centro de Porto Alegre. Comprei diversos livros dele, principalmente para ajudá-lo. Todavia, confesso, que admiro àqueles que sobrevivem da venda de livros neste País. Diz uma amiga psicanalista lacaniana, que a leitura é um ato de resistência no Brasil, alastro para aqueles que vivem da venda dos compêndios. Uma tarefa hercúlea. Talvez os monstros, nessa odisseia, sejam as redes sociais e suas inteligências artificiais. O ser humano acredita que o ato de ler não é mais necessário.

Nunca mais o vi. Ele abandonou o seu perfil nas redes sociais. Lembro-me que começou a semear o seu conhecimento literário através do facebook. Tinha muitas interações, principalmente daqueles que buscavam aprender cada vez mais. Porém, sempre fora contrário aos livros digitais. Até porque o seu lucro brotava da venda de seus livros físicos. Às vezes, converso com seu filho mais velho que seguiu o mesmo caminho. Vende livros, mas não deixa de oferecer aos leitores sua obra autoral, um livro de poemas. E das redes sociais difunde sua biblioteca a céu aberto. Uma oportunidade para aqueles que ainda almejam garimpar as melhores obras, os clássicos esquecidos ou mesmo os contemporâneos.

Na minha tarefa como docente, a leitura é o meu lema. Quero formar leitores, todavia leitores distantes da zona de conforto, alicerçados pela crítica e o pensamento aguçado. É lógico que possuo as minhas preferências literárias, mas sempre alerto-os que cada um possui um livro que foi escrito para ele. Basta procurar, é só começar a ler que encontrará a obra da sua vida. E depois de encontrá-la jamais conseguirá parar de ler. Esses meus dois amigos, pai e filho, são assim. Estimulam-nos a cavoucar e encontrar o nosso tesouro literário.

Provavelmente, estarei em Porto Alegre no dia 30 e 31 de outubro para mais uma Feira do Livro, cuja patrona será a brilhante cronista Martha Medeiros. E dessa aventura literária que farei, espero encontrá-los e falarmos sobre os livros. Afinal, esse nosso universo é sensacional. Leiam!

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.