A 13.ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Taquaritinga, realizada no último dia 2 de junho, expôs, como de costume, o lado dinâmico da atividade parlamentar local. Projetos foram votados, indicações protocoladas e moções aprovadas. No entanto, entre tantos aplausos e pedidos, paira uma inquietação: até que ponto a atuação da Câmara está, de fato, transformando a realidade da cidade?
De maneira simbólica e justa, o Projeto de Lei que denominou o CAPS II como “Dra. Maria Costa Teixeira” reconhece a relevância de figuras históricas e profissionais dedicados à saúde mental. É um gesto importante para preservar a memória e valorizar a área da saúde — muitas vezes negligenciada. O mesmo vale para a aprovação do projeto que permite o pagamento digital de tributos municipais: uma modernização que, embora tardia, atende à lógica da vida contemporânea, que exige eficiência e praticidade nos serviços públicos.
Contudo, o destaque da sessão ficou por conta da aprovação do parecer desfavorável do Tribunal de Contas do Estado sobre as contas de 2021 da Prefeitura. Com 12 votos favoráveis à rejeição e apenas duas manifestações contrárias, a decisão escancara uma gestão financeira questionável. Mais do que um julgamento contábil, esse resultado é um recado político claro: a população merece mais transparência e zelo com o dinheiro público.
As indicações dos vereadores também mostram uma Taquaritinga que carece do básico. É sintomático que, em 2025, ainda se precise solicitar camas para a UPA, conserto de telhado em prédio da saúde, valetas em cruzamentos tomados pela água e limpeza de terrenos públicos para afastar roedores das escolas. Cada um desses pedidos revela uma cidade cuja estrutura essencial está em frangalhos. Enquanto se discute iluminação de praças e sinalização de ruas, os serviços mais urgentes da saúde, da mobilidade e da infraestrutura seguem à espera de providências.
Já as moções de aplauso — generosas e bem-intencionadas — prestam merecidos reconhecimentos a atletas, empresários, servidores e entidades que se destacam. Não há como ignorar, por exemplo, o impacto positivo da empresa Doces Xavier, cuja trajetória de sucesso também fortalece a economia local ao valorizar os pequenos produtores. A conquista da equipe de xadrez nos Jogos da Juventude e o brilhantismo do Centro de Convivência do Idoso no JOMI também são motivos legítimos de orgulho para a cidade.
Mas o risco de banalização das moções também deve ser apontado. Quando os aplausos se multiplicam sem critérios claros, perde-se a solenidade da homenagem e esvazia-se o sentido institucional do reconhecimento. A Câmara não pode se converter em um espaço onde os problemas se acumulam no expediente e o alívio se encontra apenas nas palmas protocolares.
Em suma, a sessão revelou vereadores atentos, alguns propositivos e outros ainda engessados no clientelismo. O Legislativo precisa ir além da superficialidade. Taquaritinga merece uma Câmara mais fiscalizadora, mais propositiva e menos simbólica. É tempo de trocar pedidos por ações, indicações por execuções e discursos por resultados.



