terça-feira, 26 maio, 2026

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Nossa Palavra – Novo horário na Prefeitura: avanço administrativo ou obstáculo ao cidadão?

A ampliação do horário nas repartições públicas pode parecer avanço, mas acende alertas sobre gastos desnecessários, estrutura ociosa e falta de demanda real

A Prefeitura de Taquaritinga anunciou que, a partir de 4 de agosto, o Paço Municipal funcionará das 8h às 16h. Os demais departamentos seguirão diretrizes próprias, mas com base no novo decreto que amplia o atendimento público. O argumento central: alinhar a jornada dos servidores à legislação que prevê 40 horas semanais.

No papel, pode parecer um avanço administrativo. Maior tempo de funcionamento pode significar mais acesso da população aos serviços. A ideia de que o cidadão terá um “leque maior de horários” para resolver questões públicas soa conveniente — mas, será mesmo funcional? Aqui entra a necessidade de analisar, com profundidade, os reais impactos da medida.

O custo da ampliação

Estender o horário de atendimento significa, inevitavelmente, aumento de gastos com energia elétrica, consumo de água, material de expediente e papel, além de manutenção de estrutura física em operação por mais tempo. Em tempos em que se fala tanto em responsabilidade fiscal, não é contraditório elevar custos sem uma análise rigorosa de demanda?

É preciso lembrar que a maior parte dos serviços públicos municipais segue um fluxo previsível, com baixa procura em determinados horários. Quem mais precisa dos serviços da Prefeitura já se habituou a buscar atendimento pela manhã ou início da tarde. A extensão até as 16h pode, na prática, representar horas ociosas, com servidores presentes, luzes acesas, mas guichês vazios.

O exemplo da Câmara Municipal e dos bancos

A Câmara Municipal de Taquaritinga, por exemplo, já adota o horário das 9h às 15h — um modelo funcional, econômico e que respeita a dinâmica da cidade. O mesmo acontece com as agências bancárias em todo o Brasil, cuja lógica de atendimento é baseada em eficiência, fluxo e controle de custos. Por que não adotar um modelo semelhante?

A lógica da demanda e não da ocupação

É compreensível que novos legisladores busquem que o Executivo demostre organização e aderência às normas legais. No entanto, é preciso considerar se o cumprimento das 40 horas precisa, obrigatoriamente, se traduzir em mais tempo de guichê aberto. Existem alternativas, como a redistribuição de horas internas, teletrabalho parcial para áreas técnicas e mesmo rodízio, sem necessariamente ampliar o expediente visível.

O risco, neste cenário, é cair em uma armadilha administrativa: manter o servidor por mais tempo no posto sem ganho real de produtividade, e com aumento de custos — o que, ironicamente, pode gerar efeitos contrários aos objetivos de contenção e eficiência mencionados no próprio decreto.

Eficiência se mede em resultado, não em horas abertas

O cidadão não quer repartições públicas abertas por mais tempo. Ele quer respostas mais rápidas, servidores mais motivados, atendimento menos burocrático e soluções mais acessíveis. Se isso pode ser feito entre 9h e 15h, como já é praticado por tantos órgãos públicos pelo país, por que esticar o horário?

Este editorial não tem a intenção de criticar por criticar. Mas, como jornalismo sério e apartidário, cabe-nos o papel de provocar reflexões. A gestão pública precisa ser medida por resultados, e não apenas por aparente presença ou aparência de eficiência. Tempo é dinheiro — e, no setor público, dinheiro é de todos.