Neste 10 de agosto, mais do que celebrar, é tempo de refletir sobre a importância, os desafios e as ausências que ainda cercam a figura paterna em milhões de lares brasileiros
O segundo domingo de agosto costuma ser marcado por almoços em família, homenagens nas redes sociais e um certo esforço publicitário para romantizar uma figura nem sempre presente em todos os lares: o pai. O Dia dos Pais, embora seja uma data celebrativa, carrega em si uma contradição profunda no Brasil. Afinal, ao lado dos que merecem honras, ainda convivemos com histórias de abandono, ausência e silêncio.
Neste editorial, não nos cabe julgar individualidades, mas sim refletir coletivamente sobre o papel paterno em uma sociedade que, cada vez mais, clama por responsabilidade afetiva, presença emocional e exemplo ético.
Ser pai vai muito além da paternidade biológica. Ser pai é participar, educar, escutar, acolher. É estar ao lado em noites difíceis, nas descobertas da infância, nas escolhas da juventude e nas encruzilhadas da vida adulta dos filhos. A figura paterna é — ou deveria ser — um porto seguro, não um fantasma do passado.
Infelizmente, os dados ainda revelam um cenário preocupante. O Brasil é um dos países com maior número de registros de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento. São famílias chefiadas por mães solo, que muitas vezes acumulam funções com pouco ou nenhum apoio — financeiro, emocional ou afetivo. Isso exige um olhar mais atento da sociedade e das políticas públicas, que ainda falham em garantir proteção e estrutura para essas realidades.
Por outro lado, também há os pais que transformam o sentido da palavra em gesto diário. Que criam sozinhos, que amam em silêncio, que educam com firmeza e afeto. Que entendem que autoridade não é autoritarismo e que presença não se mede em valores materiais.
Em tempos de transformações sociais profundas, a ideia de paternidade também precisa ser reconstruída. Pais que cuidam, que erram, que pedem perdão, que aprendem com os filhos. Pais que rompem com os modelos de rigidez emocional e constroem vínculos verdadeiros. Pais que não se escondem atrás de tradições ultrapassadas, mas assumem seu papel de formar cidadãos conscientes, respeitosos e humanos.
Neste Dia dos Pais, o Jornal O Defensor, há mais de 40 anos contando a história de Taquaritinga e região, presta sua homenagem a todos os pais que fazem da responsabilidade um gesto diário. E, ao mesmo tempo, convida à reflexão sobre os modelos de paternidade que ainda precisamos combater, transformar e fortalecer.
Que esta data sirva, mais do que para presentear, para provocar: que tipo de pai eu sou? Que tipo de pai eu tive? Que tipo de pai o mundo precisa?



