terça-feira, 23 junho, 2026

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Nossa Palavra – A saúde mental como direito humano, responsabilidade do Estado e da sociedade

Não é favor. Não é privilégio. É direito. A saúde mental precisa ser tratada com a mesma urgência e dignidade que qualquer outro aspecto da vida humana. Em pleno 2025, diante de estatísticas alarmantes sobre o aumento de casos de depressão, ansiedade e suicídio, ainda convivemos com a ideia equivocada de que buscar ajuda é sinal de fraqueza ou que cuidar da mente é menos importante do que tratar do corpo. Esse pensamento não apenas atrasa políticas públicas, como também silencia milhares de vozes que poderiam ser salvas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida no mundo. São histórias interrompidas, famílias dilaceradas e comunidades marcadas por uma dor irreparável. No Brasil, o problema é igualmente grave: estima-se que mais de 14 mil brasileiros morram por suicídio todos os anos, um número que poderia ser reduzido com atenção adequada e políticas públicas consistentes.

Mas aqui surge a pergunta inevitável: quem é o responsável por essa realidade? A resposta não pode ser simplista. A responsabilidade é, ao mesmo tempo, do Estado e da sociedade. Do Estado, porque cabe ao poder público garantir acesso universal a serviços de saúde mental, investir em centros especializados, ampliar a rede do SUS, capacitar profissionais e combater o déficit crônico de atendimento. Da sociedade, porque a mudança cultural que exige acolhimento, empatia e diálogo depende de cada um de nós.

O silêncio, travestido de indiferença, é um dos maiores cúmplices dessa tragédia. Quantos vizinhos ignoram sinais claros de sofrimento? Quantos ambientes de trabalho preferem cobrar produtividade em excesso a oferecer apoio psicológico? Quantas famílias evitam conversar sobre o tema, como se o não-dito fosse uma forma de proteção? A omissão é tão letal quanto a falta de políticas públicas.

A saúde mental não pode ser encarada como gasto, mas como investimento estratégico. Cuidar da mente é garantir mais produtividade, mais cidadania, mais humanidade. Países que implementaram programas robustos de prevenção ao suicídio e tratamento psicológico ampliaram a qualidade de vida de sua população e reduziram custos futuros em áreas como saúde emergencial, previdência e segurança pública.

Em Taquaritinga, assim como em qualquer outra cidade, essa pauta precisa ganhar centralidade. O município, reconhecido recentemente como de Interesse Turístico, não pode esquecer que o desenvolvimento só é sustentável quando caminha junto ao bem-estar de sua população. Não adianta investir apenas em infraestrutura, se as pessoas que habitam esses espaços vivem em sofrimento silencioso.

É hora de parar de tratar a saúde mental como tema secundário e de enfrentar, sem medo, uma das maiores urgências do nosso tempo. Falar sobre suicídio não incentiva, previne. Buscar ajuda não é fraqueza, é coragem. Reconhecer que todos, em algum momento, podemos precisar de apoio é um ato de humanidade.

O Setembro Amarelo não pode se reduzir a uma campanha de um mês. É preciso transformá-lo em agenda permanente, com ações contínuas e estruturadas, onde o Estado assuma suas responsabilidades e a sociedade aprenda a ser mais solidária. Viver não pode ser um privilégio. Viver deve ser um direito.