O Brasil fez o que tinha que fazer contra o Chile: venceu. Mas se alguém acha que Carlo Ancelotti saiu do campo satisfeito, se engana. Não é da natureza do treinador italiano aceitar o “básico cumprido” como suficiente. Ancelotti sabe que a Seleção está longe de ser a melhor do mundo, mas isso não diminui a grandeza do desafio.
Estamos falando de um técnico que dispensa apresentações. O currículo dele fala por si: títulos nos maiores clubes da Europa, respeito absoluto no vestiário e a capacidade rara de manter simplicidade em meio à pressão. Não à toa está hoje na seleção mais famosa do planeta.
Claro que não é justo diminuir quem veio antes. Fernando Diniz e Dorival Júnior também escreveram capítulos importantes, com ideias que engrandecem o futebol brasileiro. Mas com Ancelotti a Seleção ganha algo raro: a tranquilidade de quem já venceu tudo, mas continua com fome de melhorar.
E o que faz de Ancelotti um exemplo é justamente o que falta a tantos no futebol brasileiro, em todos os níveis de times e idades também, não procura muletas.
Não se escora em arbitragem, em altitude, em gramado ruim ou em teorias conspiratórias. Enquanto outros se preocupam em gravar vídeos no celular para justificar derrotas, Ancelotti trabalha. Corrige. Orienta. E cobra evolução no que importa: o desempenho dentro de campo.
E contra a Bolívia, a Seleção terá mais de 4 mil metros de altitude como adversário invisível. Para muitos, um obstáculo intransponível. Para Carlo, apenas mais uma montanha a escalar. Porque quem carrega no currículo várias Champions e a confiança dos maiores do mundo não perde tempo com muletas. Passa orientação, transmite calma, mostra o caminho.
Ancelotti é o retrato do profissional que todos deveriam se inspirar. Não o personagem barulhento “silencioso” da beira do campo, mas o homem que transforma jogadores em melhores versões de si mesmos. Um maestro que, no meio de um futebol que muitas vezes desafina, ainda encontra a harmonia.



