segunda-feira, 25 maio, 2026

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Jogando Limpo – Aproveite o vento, aproveite a vida

Por: Rodrigo Panichelli*

No último domingo, dia 31/08/25  de manhã, em Taquaritinga, aconteceu mais do que um simples campeonato de pipas e papagaios. A Secretaria de Esportes organizou o “Aproveite o Vento”, e eu fui com meus três filhos viver aquilo que o futebol, o basquete ou qualquer outra modalidade sempre deveriam nos oferecer: alegria, encontro e pertencimento.

Não era sobre competição. Era sobre estar junto. Sobre o sorriso de cada criança com sua pipa no alto, sobre os pais que viraram crianças outra vez, sobre a simplicidade de pequenos detalhes — os salgadinhos, os refrigerantes, a atenção de quem organizou. Um carinho que fez toda diferença.

Confesso que senti falta de rostos que estiveram presentes no ano passado e que, por alguma razão, não apareceram desta vez. Uma pena. Porque em tempos em que todos queremos ser vistos, nada seria mais justo do que ver crianças e famílias ocupando aquele espaço, aproveitando o vento, aproveitando a vida.

E, se me permitem, registro aqui uma cena que foi dessas que valem mais do que troféus. Joaquim, meu filho, perdeu sua pipa quando a linha estourou, enroscada em outra. Tristeza de menino é sempre grande. Mas, minutos depois, a surpresa: a mesma pipa apareceu pendurada no portão do ginásio poliesportivo. Achei que tivesse se prendido ali por acaso.

Foi quando um pai, ao meu lado, soltando uma linda pipa do São Paulo FC, me disse:
— A pipa era sua? Vi quando caiu. Coloquei no portão porque sabia que era de alguma criança.

Um gesto simples. Uma lição enorme. A pipa voltou às mãos de Joaquim. Voltou ao céu. E eu fiquei com a certeza de que, num campeonato de pipas, quem ganha mesmo é a humanidade.

Não perguntei o nome daquele pai. Mas se ele, por acaso, ler estas linhas, deixo aqui meu agradecimento e meu parabéns pela atitude.

O “Aproveite o Vento” fez jus ao nome. Porque não foi só sobre pipas. Foi sobre aproveitar o que a vida tem de mais bonito: o vento que sopra, as pessoas que somam e os gestos que nos lembram que, quando somos bons uns com os outros, todos voamos mais alto.

*Rodrigo Panichelli é colaborador d’O Defensor.