Apesar de avanços históricos e políticas de incentivo, a presença das mulheres no poder ainda enfrenta barreiras estruturais, desigualdade de recursos e episódios de violência política
Nas últimas décadas, o Brasil testemunhou uma lenta, porém notável, transformação no cenário político feminino. De eleitoras a protagonistas, as mulheres têm conquistado espaço em cargos públicos, no Legislativo e em prefeituras, desafiando estruturas historicamente dominadas por homens. No entanto, a igualdade plena ainda está longe de ser alcançada. De acordo com dados da União Interparlamentar (IPU), divulgados em 2024, o Brasil ocupa a 130ª posição no ranking mundial de representatividade feminina nos parlamentos, com menos de 18% de mulheres na Câmara dos Deputados.
Mulheres nas urnas: o avanço que ainda é insuficiente
Desde 1932, quando conquistaram o direito ao voto, as mulheres brasileiras têm buscado consolidar sua presença no cenário político. Nas eleições de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 34% de candidaturas femininas, mas apenas 18% das eleitas para a Câmara dos Deputados e 17% para o Senado Federal.
Apesar da lei de cotas, que garante que cada partido ou coligação tenha no mínimo 30% de candidaturas femininas, especialistas apontam que o número não reflete necessariamente uma inserção real no poder. Isso porque muitas siglas ainda não destinam o financiamento eleitoral proporcional ou o tempo de propaganda de forma igualitária.
Um relatório da Transparência Brasil (2024) mostrou que, mesmo representando 52% do eleitorado, as mulheres receberam apenas 38% dos recursos públicos destinados às campanhas eleitorais. Em muitos casos, as chamadas “candidaturas laranjas” — registradas apenas para cumprir a cota — continuam sendo uma prática recorrente.
NÚMEROS QUE REVELAM A DESIGUALDADE
📊 Mulheres no eleitorado (2024): 52%
🏛️ Mulheres na Câmara dos Deputados: 18%
🏛️ Mulheres no Senado Federal: 17%
💰 Recursos eleitorais destinados a campanhas femininas: 38%
⚖️ Partidos com presidência feminina: 12%
📈 Crescimento de prefeitas entre 2020 e 2024: +20%
📈 Aumento de vereadoras nas Câmaras Municipais: +15%
Fontes: TSE, CNM, FGV, Transparência Brasil e ONU Mulheres (2024).
Os obstáculos dentro e fora dos partidos
A sub-representação feminina começa nas próprias estruturas partidárias. Segundo o Observatório de Candidaturas Femininas da FGV, apenas 12% dos partidos políticos brasileiros são liderados por mulheres. Essa ausência em cargos de direção limita o poder de decisão sobre candidaturas, distribuição de recursos e estratégias eleitorais.
Além disso, o ambiente político ainda é hostil. A Lei nº 14.192/2021, que criminaliza a violência política contra a mulher, foi um passo importante, mas os dados da Procuradoria da Mulher do Senado Federal (2024) apontam que denúncias de assédio, ameaças e intimidação cresceram 27% no último ciclo eleitoral. A maioria das vítimas são mulheres negras, indígenas e transexuais — grupos que enfrentam discriminação interseccional.
A violência política de gênero manifesta-se em diferentes formas: ataques virtuais, descrédito público, boicotes partidários e tentativas de silenciamento em espaços de decisão. Em muitos casos, a pressão é tamanha que leva mulheres eleitas a desistirem do mandato.
O IMPACTO DA PARTICIPAÇÃO FEMININA
📚 Segundo estudos da ONU Mulheres e do Banco Mundial:
- Países com mais mulheres no poder apresentam maior transparência governamental.
- Políticas voltadas à educação, saúde e combate à pobreza são mais efetivas.
- A presença feminina fortalece a democracia participativa e a confiança nas instituições.
Sinais de mudança: uma nova geração na política
Mesmo com as resistências, há motivos para otimismo. O número de prefeitas e vereadoras aumentou de forma consistente entre 2020 e 2024, de acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Essa expansão revela que as mulheres têm se fortalecido nas bases do poder local, criando redes de apoio, capacitação e campanhas colaborativas.
Organizações como o Instituto Alziras e o Vote Nelas têm atuado na formação de lideranças femininas, com foco em educação política e combate à desinformação. Além disso, a presença crescente de mulheres nas redes sociais impulsiona o engajamento eleitoral e dá visibilidade a candidaturas que antes ficavam restritas aos grandes partidos.
O avanço digital e a comunicação direta com o eleitorado também têm sido aliadas na luta por espaço e transparência. Em 2025, mais de 60% das campanhas femininas foram impulsionadas por estratégias de engajamento online, segundo dados do TSE Digital.
Linha do tempo — A conquista da voz feminina no poder
🗳️ 1932: Mulheres conquistam o direito ao voto no Brasil.
👩💼 1979: Primeira mulher eleita governadora — Iolanda Fleming (Acre).
🏛️ 1995: Criação da primeira lei de cotas partidárias femininas.
👩⚖️ 2010: Primeira mulher eleita presidenta da República.
📊 2018: TSE determina repasse mínimo de 30% do fundo eleitoral às candidatas.
⚖️ 2021: Lei nº 14.192/2021 reconhece e pune a violência política contra a mulher.
📈 2024: Brasil alcança recorde de mulheres prefeitas e vereadoras.
O fortalecimento da presença feminina na política brasileira é um processo em curso — e irreversível. Apesar das barreiras, as mulheres têm ocupado espaços com coragem, competência e propósito, representando uma parcela cada vez mais ativa da sociedade.
A paridade de gênero no poder não é apenas uma questão de representatividade, mas de justiça democrática e eficiência institucional. Com as eleições de 2026 se aproximando, cresce o chamado por uma política mais diversa, ética e inclusiva.
Como lembra a ONU Mulheres, “não haverá verdadeira democracia enquanto metade da população permanecer à margem do poder”. O futuro, portanto, passa pela voz delas — nas urnas, nas tribunas e na construção de um Brasil mais igualitário.
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Na esfera local, Taquaritinga também reflete esse movimento de transformação na representatividade política. Nas últimas eleições municipais, o eleitorado elegeu quatro mulheres para o Legislativo: Mirian Ponzio (PT), Maria Azevedo (PL), Lívia Zuppani (MDB) e Meire Mazzini (PL). A presença delas na Câmara Municipal simboliza um avanço importante rumo à equidade de gênero na política local, demonstrando que, mesmo diante de desafios históricos, a participação feminina segue conquistando espaço, voz e relevância nas decisões que moldam o futuro da cidade.



